20160311_000408Por Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

À memória de Louise

 

Louvados circos, os de horrores.

Dos parquinhos baratos aos sustos de Hitchcock.

Eles nos amansam para os reais terrores

Do dia a dia, a qualquer momento, o choque.

 

 

O abominável pode estar ao seu lado.

Ele até pode lhe pedir em namoro,

Mas, uma vez frustrado, lobo

Cara de sonso, rosto e riso de homem.

 

 

Líricas lendas para dormir impúberes,

Por pouco, não lhes acariciam o pelo.

O nariz, os olhos, a boca, os dentes

Até podem lhe roubar um beijo.

 

 

Ingênuas pantomimas, madrugadas.

De repente, o pânico, mas, tão somente

O alívio de se acordar, era pesadelo.

Respiramos, já era, o medo.

 

 

Mas, o fato noticioso de ontem

Não era fantasia, era o avesso

Do gesto de quem se declara:

Diz que ama, mas, mata.

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