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Arfresco na Capadócia, Turquia

Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

 

QUARTA

Quando a Semana era Santa,

Já na Quarta eram as trevas.

Eis que procuram um homem.

Acharam-nu, ou quase,

Junto a um jardim de roseiras

Nos quarteirões de Goiás.

 

 

QUINTA

Hoje, um dia útil e normal,

Nas ruas e nos quintais,

Capital e interior.

Comércio aberto e por certo

Peixes cristãos numa feira,

Pois, amanhã, feriado.

 

 

SEXTA

Este, sim, dia de igreja,

Mas, quem fiel ainda é

De círio de Nazaré

Cheio de cravos e luz,

Em Planaltina, Jesus,

Morre, ator,  na Capelinha.

 

 

SÁBADO

Aleluia, irmão, até Judas

Dele merece perdão,

Tanto o bom quanto o mau,

Dia bom para os ladrões

Saberem de fato o que é seu:

Ou, deveria ser, consciência.

 

 

DOMINGO

Paciência, com a moral.

Os costumes ainda chamam

De santa, uma vez por ano,

Mesmo num país Brasil

Nascido em plena Páscoa,

Ilha da Santa Cruz, Vera Cruz.

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