Por do sol lençoisPoema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

 

Nada há de ser gana.

Nem a grana altera

Os escrúpulos. E a hera,

Com o tempo, verde muro.

 

À noite, tateando o escuro,

Quando inválido o espelho,

De esguelha sondo estrias,

Teia da consciência do medo.

 

Lá, no fundo e na lápide,

Encontrarei o recado

Escrito pelos séculos,

A comover os céticos:

 

Só os bons são felizes,

Mesmo se há lama

Os deslizes. Ninguém

Estará fora de si.

 

O grande olho que a tudo vê

Nem precisa da TV,

Está bem face a você

Sempre, à vossa mercê.

 

Há, sim, o momento. E virá.

Mesmo sem corpo e sem vulto

Nada mais o incomodar

Senão o para sempre insepulto.

 

Somente o bom será justo.

Somente o bem será belo.

No espelho das estrelas,

Com elas brilha-se é nu.

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