Por do Sol em Barra GrandePoema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

I

Os humanos podem, eventualmente,

Não ter boas mães, mas, são

Com certeza e, para sempre, filhos

De Deus e, em dado, mas incerto

Momento, voltarão ao reencontro.

II

Quando Narciso viu-se nu,

Não quis mais saber só de si.

Saiu à procura de uma outra metade,

Para logo voltar, eriçado em pelo.

III

Ser bom nem sempre é [ser] agradável.

Dizer não, com mel, se for possível.

Dizer sim, sim, é bom. Quando dois

Um ao outro se sentem sem espinhos.

IV

Ilusão, contar ao mundo autoflagelos,

Crer que há ouvidos para todo canto.

De plantão, nem a magia dos sentidos

Que acreditamos para a fé de quem se ama.

V

Saem os casais, felicidade à procura,

Mas, quando só a si descobrem,

Desvelam faltar ainda mais um pouco.

Quem sabe, com os filhos mais alento.

VI

Sejamos coerentes, ao menos uma tarde.

Antes que, tarde, a vida seja ocaso.

Acaso, ainda há luxo de arrependimentos

Para os frutos quando em flor foram promessas?

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