Brasília já não é mais a capital das Marias e dos Josés.

populacão do dfNomes influenciados pela fé cristã ainda são os mais utilizados pelos brasilienses.

Por Chico Sant’Anna

 

Tradicionalmente relacionados a fé cristã, já que se referem aos pais de Jesus Cristo, os nomes de Maria e de José têm perdido espaço, década a década, na preferência dos brasilienses, segundo levantamento do IBGE, com base no Censo de 2010.

O nome de Ana, o mesmo da mãe de Maria, é hoje na Capital Federal mais popular do que o nome de sua filha.

Mas o cristianismo continua a exercer forte influência nos prenomes candangos. Agora, a cidade é das Anas e dos Joãos. Nomes que igualmente remetem à religião católica. Ana era o nome da mãe de Maria e João pode ser uma alusão a João Evangelista, um dos doze apóstolos de Jesus, ou mesmo João Batista, que batizou o messias nas águas do rio Jordão.

Esse fenômeno local não é uma reprodução do cenário nacional. Segundo o IBGE, Maria, com quase 12 milhões de pessoas, e José, com quase 6 milhões, são as principais denominações do brasileiro.

Segundo o IBGE, em 1980, existiam no DF 23.127 Marias e 10.010 Josés e apenas 7.235 Anas.

Já pelo último censo de 2010, os Josés caíram para a 48ª posição dentre os nomes mais utilizados. As Marias foram para a segunda posição, dando lugar as Anas.

Hoje, o nome preferido para os meninos é João, que na lista geral (ambos os sexos) aparece em terceiro lugar, atrás de Ana e de Maria. No acumulado, são 146.770 Anas e 49.963 Joãos. Logo em seguida, mais três nomes tirados da Bíblia: Gabriel, Pedro e Lucas.

Francisco

A popularidade do Papa Francisco ainda não se faz presente nessa pesquisa, mesmo por que sua assunção ao cargo se deu em 2013, após o censo de 2010. É possível que ele venha inspirar o surgimento de novos “chicos”, mas, por enquanto, a estima pelo santo protetor dos animais está em baixa, com o nome Francisco na 65ª posição das preferências e o de Francisca, na 91ª. Há em Brasília, por exemplo, mais Thiagos e Tiagos do que Franciscos.

Nomes de origens judaicas, como Davi, Sara e Simone, também se fazem presente entre os preferidos dos brasilienses. Davi é 0 14º, Sara o 39º e Simone, que é a versão feminina de Simon, em português Simão ou Simeão, em 99º estão dentre os cem nomes mais presente na Capital Federal.

Nomes de origem árabe, oriental e germânica não se fazem presentes na lista dos cem nomes.

Lanterninhas

Apesar da forte influência nordestina, numa lista dos 102 nomes mais utilizados na Capital Federal, os tradicionais Raimunda e Sebastião ficaram nas duas últimas posições. Raimundo ficou em 98º. Bem menos populares do que o anglicano Anderson, que é o 69º na lista das denominações dos moradores do Distrito Federal. E nem mesmo a obra prima de João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina, foi forte o suficiente para preservar os Severinos. Na lista do IBGE eles nem aparecem. Mesma sina tiveram os lusitanos Joaquim.

Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
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Uma resposta para Brasília já não é mais a capital das Marias e dos Josés.

  1. Valdemar Francisco Barbosa disse:

    Muito interessante este artigo, é uma pena que muitos estão preferindo usar nomes estrangeiros para seus filhos que nem sempre estão satisfeitos quando descobrem que mal sabe falar corretamente nosso Português.

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