Castelo de Peterholf (109)Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

Nem toda obediência estará

Ao dispor. Há, sim, uma Ordem

Superior, do Universo, para que possas

Encontrá-la reflexa numa poça.

 

 Ordenha, um a um, todos os teus medos,

Em segredo, voláteis e imaginários.

Cuidado, podem ser fátuos cálculos:

Dívidas, dúvidas, bílis e oxalatos.

 

 Nem todo rei reina por cetro e coroa.

Finalmente, ao trono, sonhos e miragens.

Reis, tantos: do Iê-iê-iê, da Soja, Roberto, Pelé…

Rainhas? Dos baixinhos, da sucata… Caminhoneiros.

 

 Greta Garbo, quem diria, chegou à Presidência:

Do clube, do condomínio, do Parlamento…

Distinguir os sinais do horizonte.

Acaso são palácios firmes residências?

 

 Ser humilde e só, mister estelar.

Saber-se mínimo e remoto fulgor.

Improvável bordar-se em bandeira.

Extenuado, respira, deixa estar.

 

 O porvir é atrair providências.

Ara desde livros e provérbios.

Todavia, brasão e lema

Inscrevem-se é em si mesmo.

 

 Quem sabe, melhor porto,

Manter-se do logro a distância.

Que pode servir de mais conforto,

Senão estar longe da inveja e da rapina?

Anúncios