Poema de Fim de Semana: No Amor, Adros

Musa Dualidade estilizadaPor Luiz Martins da Silva

Meu amor me ensinou a ser simples / Como um largo de igreja

Oswald de Andrade (Ditirambo)

Ultimamente, muita coisa,

Via Láctea congestionada.

Quase não tenho ido à Lua.

Marte, então, só de vê-lo,

Dói-me, tal pouco zelo,

Vermelho-saudade.

x

De longe, o Brasil é um ponto.

Sua Capital, quase tonta,

Um Plano sem piloto.

Ontem, patético estudante,

Portava, sabe o que?

No rosto, revolução dos cravos.

x

Em cada orelha, uma asa.

Hypnos, delírios no espelho.

Hoje, filhos é que são Narcisos.

Nunca me multipliquei tanto!

Tantos braços quanto deusa

Indiana, brasiliana, umbigo, ventre.

x

Ser sóbrio me embaraça.

Mas, também com tantos mimos!

Eu, insisto, sei que nada sei,

Mas, persistem na demência.

Perguntam, e eu respondo.

Brincadeira mútua, de alunos.

x

Eu nada lhes direi sobre o amor.

Sequer do seu anverso, a dor.

Cada um que toque a sua lira.

Eu aposto: Eros, 7; Tânatos, 1.

Duvida das dúvidas da vida?

Pois, deixe seu coração bem na mira.

Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
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