Feirante Taguatinga 2Por Luiz Martins da Silva. Foto de Anália Silva

 

 

 

Primeira  – Domingo
Dia de ir à feira, apalpar as frutas,

Provar amostras, comer um absurdo;
Sacolas para a semana inteira;
Mas, não era dia de missa?

Segunda
Dia de nenhum calendário

De qualquer rei que se preze.
Quem sabe, algum príncipe, princípio,
Mas, a qualquer indício, reze.

Terça
Dia de ir ao banco, agendar contas,

Tirar o saldo e chamar por um santo:
Nossa Senhora! Mas, há de vir a hora
Do bolão, por enquanto sonho, balão.

Quarta
Dia de ligar para os filhos,

Parece que nasceram ontem,
Mas, como cresceram!

Quem sabe, algum dia, netos.

Quinta
Mas, como? De novo às compras!

Não, sim; é que faltou uma coisinha.
Mas, tão cheio, o carrinho:
Não será desperdício?

Sexta
A mais santa de todas as feiras,

A do cansaço, o que era gente,
Agora, é só o bagaço da bagunça,
Manter-se em pé e humano.

Sábado
O único dia não santo, mas, calma

A atolar o pé na jaca, até para a manha
Há de haver um decoro, pois, senão amanhã
Não será domingo, mas, um pingo (de) alma.

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