Brasília Minha: um portal para a memória candanga

Ao centro da SQS 106, o bloco D -antes denominado bloco 4 - é o primeiro edifício residencial a ser concluído em Brasília. Construído pela Kosmos Engenharia a partir de 1957.

Ao centro da SQS 106, o bloco D – o mais escuro – (antes denominado bloco 4) é o primeiro edifício residencial a ser concluído em Brasília. Construído pela Kosmos Engenharia a partir de 1957.

Se numa mesa do Beirute ou numa conversa de repartição alguém puxar o assunto, vem um fio enorme de lembranças brasilienses: Bibabô, Fofi, Solomaq, Moplan,Itabrás, Serve Bem, Bar Estrela, Churrascaria do Júlio, Otello, Caranguejo, Casa Nordeste… Mas isso se houver alguém pra lá dos 30 ou 40 na conversa. Os mais jovens geralmente desconhecem qualquer traço da existência passada de empresas, lugares e pessoas que, de uma forma ou outra, fizeram parte da construção da Brasília que conhecemos hoje.

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Duas cidades fizeram o jornalista Fabrício Rocha pensar em quanto da história de Brasília, ainda recente, está se perdendo rapidamente: “Estive em Recife no ano passado e fiquei olhando aqueles casarões e aquelas fachadas no Recife Antigo, imaginando o quanto de história que existiu ali e nós não temos a menor ideia”. Um contraste enorme com New Orleans, cidade americana colonizada por franceses e espanhóis, que orgulhosamente preserva seu velho centro urbano, com placas, azulejos e guias turísticos que relembram os quase trezentos anos de sua fundação.

Obras de construção do Centro Comercial Gilberto Salomão e Igreja Nossa Senhora do Petpétuo Socorro, no Lago Sul, em 1963. Ao fundo, onde hoje está sendo erguido o Deck Sul, um dos acampamentos que a construtora Kosmos Engenharia possuiu em Brasília.

Em primeiro plano, as obras de construção do Centro Comercial Gilberto Salomão. No meio, o Colégio e a Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no Lago Sul, em 1963. Ao fundo, onde hoje está sendo erguido o Deck Sul, um dos acampamentos que a construtora Kosmos Engenharia possuiu em Brasília.

O jornalista então teve a ideia de criar um site tipo wiki, como a Wikipédia, sobre a história de Brasília e suas cidades satélites. Neste formato, qualquer pessoa ‒ mesmo usuários não cadastrados ‒ podem criar páginas, inserir informações e fotos em páginas existentes, e assim, com as poucas lembranças de um aqui e outro ali, a formação da ainda jovem capital brasileira pode ser recontada para as novas gerações.

O BrasiliaMinha.com.br foi criado no fim de maio e entrou no ar no mês seguinte, “ainda com alguns ajustes técnicos a fazer”, como explica Fabricio, para que outras pessoas começassem a colaborar com suas lembranças e causos da cidade. Uma página chamada “Como Escrever” explica que basta clicar num botão com o desenho de um lápis ou com o sinal de mais (+) para, respectivamente, modificar ou criar uma página. E deixa claro que não há restrições de assunto: de celebridades a desconhecidos e anônimos, de grandes empresas do passado a pequenas bibocas do presente, o site está aberto a tudo que pode ser considerado um tijolinho que seja na história do DF.

Aeroporto de Brasília, na década de 1960

Aeroporto de Brasília, na década de 1960

Quem não se sentir à vontade para mexer nos textos das páginas pode apenas usar uma área de Discussão, no fim de cada página, para deixar comentários e lembranças ‒ algo que não existe na Wikipedia, por exemplo. É um espaço ideal para quem apenas gostaria de compartilhar algumas lembranças pessoais ou saudades ‒ ou até traumas, como fez o jornalista Romário Schettino, que na página sobre a 312 Norte deu um depoimento pessoal de quando foi preso pela ditadura militar quando morava numa república estudantil da quadra.

Lago Sul nos anos 60

Lago Sul nos anos 60

Mas o site é todo feito para deixar qualquer visitante à vontade para se transformar em colaborador, também. Os usuários que tentarem criar ou editar uma página vão encontrar um editor de texto simples, visual, muito parecido com o Word e outros do tipo. Isso ajuda a esconder o fato de que, como todo site do tipo wiki, os textos são escritos com uma espécie de código para fazer a formatação de títulos, negritos, itálicos e tabelas ‒ os colaboradores que quiserem conhecer e aprender esse modo de escrever podem usar o “Editor de Código”, ou pelo menos ler a página de “Sintaxe do Editor de Códigos”.

Obs: Depois de fazer as mudanças ou criar a página, é só clicar no botão “Salvar” ‒ e pronto. Um pedaço todo seu da história de Brasília está registrado para os outros visitantes do site. E isso é uma das possíveis explicações para o slogan do BrasiliaMinha.com.br: “a história da cidade que você faz”.
 
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Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
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