7 Cidades - PI (252)Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

Não é o milionário que quer mais um
Milhão, é o próprio money no espelho.
Um só milhão é somente um grão,
Sempre pedindo bis, zilhões.

Feijão, sim; qualquer um se satisfaz.
Basta um caroço no chão e, belo dia:
Flor, vagens, encomenda de feijoada.
Boi, já nasce aboio da alvorada.

Contentamento dos pobres e humildes,
Dos acampamentos, casebres e marmitas.
Pausa para matar a fome dos que não matam,
Não atemorizam sequer os cofres públicos.

É a lenda do feijão, rima de trabalho.
Se há algum tempero, tanto melhor, mas,
Parece que quanto mais curto o salário,
Menos a gana, a miragem dos milionários.

Por quê o barão não é como o feijão?
Por quê não gosta de brotar por si?
Que pendor este, do sem pendão!
Sem pena ou perdão, sua fartura é faturar.

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