vultosPoema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna.

 

Ladrões há que, sendo homens,
São, também, confessionais.
Admiram-se, junto à Cruz:
“Mestre, sei porquê estou aqui,
Mas, e Vós, que sois um justo?

Mas, ladrões há que exigem busto
E um nome público honrado.
E, nem que duvide o mundo,
Hão de  jurar desde um púlpito
A mais recatada pureza.

Ladrões, mesmo, com certeza
Hão de chorar inocência;
Hão de manter a elegância:
Hão de garantir a linha:
Galos, varões de rinha.

Lá, no fundo têm inveja,
Do reles ladrão de galinha.
Algemado, o pobre diabo,
Rosto exposto e execrado,
Nada tem a desmentir.

Pobre da honradez fingida,
Incapaz de um rubor.
A justiça mais temida
Haverá de lhe cobrar
Uma paz interior.

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