Poema de Fim de Semana: Ladrões de Verdade

vultosPoema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna.

 

Ladrões há que, sendo homens,
São, também, confessionais.
Admiram-se, junto à Cruz:
“Mestre, sei porquê estou aqui,
Mas, e Vós, que sois um justo?

Mas, ladrões há que exigem busto
E um nome público honrado.
E, nem que duvide o mundo,
Hão de  jurar desde um púlpito
A mais recatada pureza.

Ladrões, mesmo, com certeza
Hão de chorar inocência;
Hão de manter a elegância:
Hão de garantir a linha:
Galos, varões de rinha.

Lá, no fundo têm inveja,
Do reles ladrão de galinha.
Algemado, o pobre diabo,
Rosto exposto e execrado,
Nada tem a desmentir.

Pobre da honradez fingida,
Incapaz de um rubor.
A justiça mais temida
Haverá de lhe cobrar
Uma paz interior.

Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
Esse post foi publicado em Arte e Cultura em Brasília, Cultura, Literatura. Bookmark o link permanente.

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