Texto e fotos de Orlando Brito. Publicado originalmente em Os Divergentes

Congresso Nacional Manifestantes 1969
Em frente Congresso, populares fazem manifestação contra o governo. O presidente Costa e Silva, segundo presidente do regime militar, é acometido por uma embolia cerebral. Impossibilitado de governar, o marechal teve de ser afastado do Palácio Planalto. Seu vice, Pedro Aleixo, era civil e foi descartado para substituí-lo. Em seu lugar, assumia o poder uma junta militar – composta pelo general Lira Tavares, pelo almirante Augusto Rademaker e pelo brigadeiro Márcio de Sousa e Melo. Foto de Orlando Brito em 1969

“Caminhando”, de autoria do compositor paraibano Geraldo Vandré, é uma das músicas brasileiras de maior simbolismo. Ficou em segundo lugar no Festival Internacional da Canção, promovido pela TV-Rio, em 1968. Mas logo em seguida, teve sua execução proibida durante os tempos brabos da censura, sob a alegação de que incitava a população à resistência contra regime vigente. Ainda assim, virou hino dos chamados anos de chumbo no Brasil.

A canção de Vandré era cantada sempre nas manifestações políticas. Uma dessas ocasiões foi essa aí da foto, que fiz ao passar pelo Congresso: cerca de duas mil pessoas ocuparam a praça em frente à cúpula da Câmara em protesto contra a subida da junta militar.

Planalto, por Orlando Brito
Planalto, por Orlando Brito

Mãos levantadas e folhetos impressos com a letra entoavam “Prá Dizer Que Não Falei de Flores”, o outro título da música “Caminhando e Cantando”, à época proibida de ser executada nos rádios, nas tevês ou em recintos públicos.

O Congresso, por Orlando Brito
O Congresso, por Orlando Brito

Hoje o Brasil se encontra em clima de total liberdade democrática. Há eleições para todos os níveis da República e a censura é somente uma triste lembrança da história. Os Três Poderes funcionam plenamente.

No Palácio do Planalto está Michel Temer no lugar de Dilma Rousseff, que sofre processo de impeachment.

O Supremo, por Orlando Brito
O Supremo, por Orlando Brito

O Supremo Tribunal Federal cumpre seu papel de exercer a justiça, como se tem visto, em busca da punição de figurões envolvidos em corrupção.

E o Congresso Nacional, por mais que não se queira, continua sendo o depósito de todo tipo de crises. Como agora, a Câmara envolvida na complexa sucessão de seu presidente, Eduardo Cunha, que renunciou em decorrência de denúncias por envolvimento em negócios escusos.

Anúncios