Turkia - Instanbul estatua de cabeça pra baixoPoema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna.

 

Que semelhança se molha
Entre as férias e o espelho?
Será o comum de um lado
Olhar-se de superfície?

Mal hão de pensar por mim
E todos virem com essa:
Você precisa de uma…
Como se o feio cansasse.

Eu, por mim, prazo o quieto
Que há de repouso nos vivos.
Quanto mais aparência de sonso,
Mais acordamos no viço.

Convém o estalar de língua,
Esta que lambe em cedilha
E arranha o céu com as unhas.
Entre o peço e o peco, o recato.

Idioma de assanhar-se,
Cerrado, savana e mar.
Na seca do tão distante
Floresce o sertão do lado.

Quando duas partes se munem
De se encontrar no infinito,
A uma pergunta a outra:
“Foi bom pra você também?”

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