Foto de Chico Sant'Anna
Cristovam e Rollemberg, como senadores, articularam a chapa vitoriosa em 2014. Foto de Chico Sant’Anna

Texto e foto por Chico Sant’Anna

 

Ao votar pela continuidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) escolheu um lado no jogo político.

Alguns analistas arriscam a dizer que é o “lado de fora” e explicam: A tradicional e histórica base de Cristovam –  que já foi governador do Distrito Federal e ministro da Educação pelo PT -, calcada em eleitores de esquerda, em especial do PT e do PDT, não irá perdoá-lo.

O ex-governador conseguiu se distanciar de parceiros importantes da comunidade acadêmica, como os ex-reitores da Universidade de Brasília, Antonio Ibañez e José Geraldo de Souza Jr; do GDF, do tempo em que foi governador, como a sua vice Arlete Sampaio. Em carta aberta ao senador, hoje no PPS, seus antigos parceiros políticos e amigos afirmam que Buarque “trilhará o caminho da cinza, da abjeção e, por fim, do esquecimento”.
Cristovam também foi alvo de críticas provenientes de importantes nomes do mundo intelectual, tão caro a ele, tais como Leonardo Boff e Fernando Morais.

O outro lado político , o dos eleitores conservadores, já possui seus próprios nomes. Nomes  como Tadeu Filippelli, Coronel Fraga, Jofran Frejat, Liliane Roriz, dentre outros, irão absorver esse perfil de voto. Cristovam também se distanciou de Rodrigo Rollemberg, assim como fez com Agnelo Queiroz.

Além disso, alertam esses especialistas, Cristovam não pode confiar cegamente em ter o apoio do PPS. Nem na sucessão local, pois Celina Leão e Raimundo Ribeiro têm projetos próprios. Tão pouco na sucessão presidencial, sonho do ex-governador.

Relembram o episódio Eliana Pedrosa em 2014. Ela migrou do PSD para o PPS no sonho de garantir a vaga para disputar o Buriti. Na hora H, o partido decidiu apoiar Rodrigo Rollemberg. É sabido que o PPS nacional sonha em ter Roberto Freire como vice numa chapa do PSDB ou do PMDB. Descartar Cristovam como descartaram Pedrosa, seria fácil.

Essa artigo foi originalmente publicado na coluna Brasília, por Chico Sant’Anna do semanário Brasília Capital.
Essa artigo foi originalmente publicado na coluna Brasília, por  Chico Sant’Anna do semanário Brasília Capital.

Insustentável

Em Brasília, a situação de Rodrigo Rollemberg, piora a cada dia. Não só pela mobilização dos policiais civis, mas principalmente pela impossibilidade de confiar na sua base parlamentar.

O grupo que seria seu principal aliado, composto por parlamentares da Rede – Chico Leite e Cláudio Abrantes -, dos pedetistas Joe Vale e Reginaldo Veras e pelo Professor Israel – PV; decidiu criar o bloco Sustentabilidade na CLDF. Passou a ser o maior bloco parlamentar da Casa.

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A iniciativa desestabiliza Rollemberg. De cara, o bloco defende a equiparação dos salários dos policiais civis com os federais e se diz contra a reeleição de Celina Leão no comando da CLDF. Joe Vale deve vir a ser o candidato a presidente da Casa, enquanto o GDF apoia Agaciel Maia.

Na questão da CPI da Saúde, os Sustentáveis vão esperar pra ver o que acontece pra decidir o que apoiar. Com 2018 ali na porta, a governabilidade de Rodrigo Rollemberg vai ficando cada vez mais difícil. Não foi por menos que Rodrigo Rollemberg convidou os três deputados do PT, Wasny de Roure, Chico Vigilante e Ricardo Vale para uma conversinha tete-à-tete .

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