Brasília - vista aérea nov 2012Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

Quando os candangos por aqui chegaram
E, de apelido, já não eram forasteiros,
Salário vinha da lida, suor e poeira.
Vi, então, surgir na savana um outro mar,
Não de alagar, não de aportar, mas de contemplar.

Do alcance do pé à miragem do horizonte,
Do azul esfuziante ao vermelhão do óxido,
Por fim o tapete exótico rebrotou
E, com ele, as placas do civilizado aviso:
Não pise! Agora, é reverente flama.


Tão farta verdura por que não é pasto?
Se não vereda, que sertão é lastro?
Outrora convidados, agora, palácios
Cercados de capim, chique e tosado.
Roça agra, mas de não sortir roçado.


Hoje, no retrato ainda bem vindos,
Celebrados pioneiros, mas por ora piotários.
Severinos, Venâncios, paus-de-arara.
Em que diferem pessoas quando olhamos
E o que vemos, gravatas e formulários?


De almas limpas, avós no calendário,
Mal sabiam das pranchetas o traçado.
Afinal, em vastidão de pouca esquina,
Quem faz conta de rastro em labirinto?
Que instinto orienta o minotauro?


Que viva mais quem no verde faz divisa,
Tal o ornamento do chão na modernidade.
Da bola entre as linhas ergueram-se os louros
Desde esse cogito olímpico em que somos campeões.
Todos à rega! Um dia, por baixo, descansaremos.

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