patosPor Ana Rossi

A dor estilhaça envoltórios
o meu ser flui com celeridade
nas ondas mentais novamente criadas
e deixo de lado a roupagem
que não me serve mais

A dor estilhaça envoltórios
velhos, rasgados, detonados
que não queremos largar
no auge da ascensão, solidão
os limites do céu se dilatam
percorro horizontes inéditos
viajo em mim mesma
a mais longa das viagens
(comigo mesma)
a mais bonita delas

A dor estilhaça envoltórios
uma nova roupagem chega
firme e forte
na imensidão da vida
os caminhos se renovam
refazendo as minhas forças
deixando de lado antigas
situações de vitimização
meu vôo alcança sossego
e, sossegada, crio outros envoltórios
em voos mais altos, mais felizes
(comigo mesma)
acariciando o meu destino
que traço cada vez mais consciente

A dor estilhaça envoltórios
e, eu, abri a caixa de pandora
e vi (vejo) aquilo que não são
mais fantasmas
apenas criações minhas
que (re)conheço, desempoeirando
Os recônditos do meu ser
voltando-o para o novo
abrindo novos espaços onde
a respiração flui

Não tenho mais medo de mim
meu lugar é aqui

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