palmas-junho-2008-21-bPoema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

Se somos água corrente,
Sangue, rio interior,
Por que hão de nos querer
Para si em seu regato?

Ai, de nós, os afogados
Que ficamos à soleira
Dos dias e do espanto
Da saudade não esperada!

Sim, pois quem se foi
Para o misterioso âmago
Lá, atônito e cândido,
No fundo é quem já flutua.

Para nós, o sentimento
Da perda e do vácuo.
Jamais fecharemos janela
Do impossível de não ver.

Somos desse não compreender
Do que, afinal, elementos:
Sede do ar, fogo, água
E a terra, a sete palmos.

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