park-way-padaria-com-efeitoO Country Club (clube de campo) e o comércio, no Park Way (caminho do parque)

Por Carlos Cristo*

 

Fui convidado, ontem, 20/9, a participar numa reunião, no Country Club, para conhecer o projeto de instalação de uma área comercial, naquele clube, localizado no Park Way, próximo ao Catetinho.

Como no bilhar e talvez à moda goiano-mineira, o que é dito não é o pretendido: dá-se uma tacada numa bola, para esta atingir outra, que deverá entrar na caçapa.

A reunião teria sido convocada por uma moradora e teria como objetivo levantar demandas dos moradores para o comércio proposto. Na realidade, a reunião foi convocada a pedido do presidente do clube que, sabedor da polêmica sobre a instalação de comércio no bairro, queria avaliar a reação dos moradores à ideia. Projeto não há, apenas a ideia de destinar 30 mil metros quadrados, com acesso por uma portaria lateral, ao empreendimento, que seria concessionado a empresários.

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O levantamento da demanda não poderia ser feito ali, de forma amadorística, num universo minúsculo de moradores, escolhidos por critérios diversos.

Surpreende a ideia, que poderia ser interessante não fosse a localização do Clube, numa ponta do bairro, longe de muitos. A clientela potencial seria proveniente das quadras 26 a 29, talvez insuficiente para viabilizar um pequeno centro comercial e de serviços.

O Country poderia ser o ponto de encontro da comunidade do Park Way, com seu aprazível espaço, onde tem cachoeiras, uma hípica e uma extensa área de preservação ambiental. Mas, parece enredado numa gerontocracia que o debilita, inclusive financeiramente e afugenta até os sócios patrimoniais, que chegam a presentear os seus títulos, para escaparem das altas mensalidades. A liberação da entrada aos moradores do Park Way, para almoços, no fim de semana não chega a animar, pele baixa qualidade da gastronomia,…

Park Way

Mas o problema do Park Way vai muito além do que o Country possa propor:  há carência de comércio e de serviços, gerando a ocupação irregular e aleatória de terrenos, alguns invadidos, para atender à demanda. A Vargem Bonita é um exemplo, com comércio, oficinas mecânicas, funilaria, borracharia, igrejas, bares, supermercado, pet shop, padaria, verdureiro, …. tudo na mais absoluta irregularidade, mas com um movimento animadíssimo, proveniente das quadras 14 a 25. Ainda faltam farmácia, costureira, sapateiro, escola,….

No Park Way todas as edificações não residenciais não possuem licença. Até os prédios da Associação de Moradores e do Posto de Polícia, na quadra 14, são irregulares.

Não só na Vargem Bonita temos comércio. Quiosque, botecos, casas de festas, escola, academia ,…distribuem-se no maior bairro do Distrito Federal.

As autoridades e o legislativo são chamados a atuar e encontram as mais inflamadas resistências – pequenas mas esperneantes – de pessoas que usam argumentos insanos e fantasiosos que chegam a correlacionar comércio com prostituição e acham muito mais interessante, para o meio ambiente e para a sua “qualidade de vida” o vai-e-vem constante de viaturas, queimando litros de combustível, para comprar um band-aid, na farmácia do Núcleo Bandeirante. Contrapõem aos argumentos que citam o exemplo das ilhas de comércio do Lago Norte, ou da comparação de valores de terrenos até com os condomínios do Jardim Botânico, experiências mal sucedidas, no Guará, em contexto muito diverso.

Como disse o nosso vizinho e renomado urbanista brasileiro, Jorge Francisconi, presente à reunião: temos que enfrentar o assunto, não podemos fazer de conta que não vemos a realidade.

O autismo social tem sido, infelizmente, o maior problema deste país.

 

 

*Carlos Cristo é Arquiteto e Urbanista e morador do Park Way

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