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Casa Rosada. Há 25 anos, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai adotam medidas para disseminar os idiomas Português e Espanhol. Medida Provisória da Reforma do Ensino Médio põe por terra um quarto de século de um importante trabalho.

Por Chico Sant’Anna

A recente reforma do Ensino Médio, decretada via Medida Provisória pelo governo Temer trará embaraços internacionais para o Brasil.

Há 25 anos, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai adotam medidas para disseminar os idiomas Português e Espanhol. A Medida Provisória da Reforma do Ensino Médio põe por terra um quarto de século de um importante trabalho.

Se por si só, já podemos considerar um retrocesso na qualidade do ensino a retirada da grade escolar obrigatória de disciplinas como Filosofia, Sociologia e Educação Física (esta, ao contrário, deveria ser obrigatória em todos os níveis de ensino, até como política de saúde pública) a MP atabalhoada vai gerar dor de cabeça com os vizinhos do Mercosul.

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O Tratado de Assunção no Paraguai, de 1991, estabeleceu como línguas oficiais do bloco o Português e Espanhol. Foi assinado um protocolo para difundir a aprendizagem dos idiomas através dos sistemas educacionais, “em todos os níveis de ensino e modalidades”. Desde então, os países membros vem adotando medidas para que os dois idiomas ganhem espaço.

Criaram-se cursos de formação de professores de Espanhol e Português. Em 2001, em Buenos Aires, as escolas bilíngues passaram a oferecer Português, não só inglês. Em 2004, Brasil e Argentina transformaram seus colégios nas fronteiras em escolas bilíngues. No Uruguai, mais de cem escolas já ensinam Português. Paraguaios estudam Português a partir dos 15 anos de idade, no supletivo de 2º grau e em universidades. Na Venezuela, em 2009, foi incluído na grade escolar como disciplina opcional. No Brasil, a partir da lei nº 11.161/2005, o Espanhol é oferta obrigatória pelas escolas.

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Publicado originalmente na coluna Brasília, por Chico Sant’Anna do semanário Brasília Capital

Segundo especialistas, num mundo globalizado e multipolar, adotar o Inglês como único idioma obrigatório no ensino médio, além de ferir os tratados no âmbito do Mercosul, é burrice acadêmica. Na França, todas as escolas oferecem obrigatoriamente mais de um idioma e o inglês não é obrigatório em nenhum delas. É uma opção do aluno. Aqui do lado, no Paraguai, além do Português, as instituições de ensino podem optar entre alemão, francês, inglês e italiano. Pela realidade regional brasileira, pela amplitude de opções de mercado de trabalho, a adoção de uma cesta de idiomas, incluindo também o mandarim e o árabe, se mostra o melhor caminho para a formação linguística de nossos jovens.

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