Aruc comemora 55 anos de samba no Planalto Central

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Na história do Carnaval de Brasília, 48 desfiles oficiais dos quais participou, a Aruc foi campeã em 31 edições e conquistou onze vice-campeonatos.

A Associação Recreativa e Cultural Unidos do Cruzeiro (ARUC) está de aniversário.

Como ensinou o Mestre Nelson Sargento, “o samba agoniza, mas não morre”. E isso vale pra Capital da República também. Mesmo sem te podido botar o bloco na rua no carnaval de 2015 e 2016 a Azul e Branco do Planalto continua firme e comemora deu 55º aniversário.

Fundada no dia 21 de outubro de 1961, por um grupo de funcionários públicos, recém transferidos do Rio de Janeiro para a nova Capital, a ARUC é a mais antiga escola de samba da cidade e a maior campeã do Carnaval de Brasília, com 31 títulos conquistados, e onze vices, nos 48 desfiles oficiais dos quais participou.

Além disso, a ARUC é a única escola de samba do país a possuir o título de octa-campeã do Carnaval (de 1986 a 1993), superando a sua madrinha Portela, que foi hepta-campeã do Carnaval do Rio de Janeiro (de 1941 a 1947).

Os enredos apresentados durante a sua gloriosa história na Capital Federal, grande parte sob o Regime Militar, abordaram os mais variados temas, mas sempore buscando oferecer ao público um painel da história do nosso país, da sua arte, da sua cultura e do samba ou apresentando temas polêmicos e satíricos.

A partir de 1989, quando o jornalista Moacyr Oliveira Filho, o Moa, assumiu a tarefa de desenvolver os enredos da ARUC, a escola passou a apresentar enredos mais políticos e satíricos, entre os quais destacam-se Samba do crioulo doido, 100 anos de comédia (1989), sobre o centenário da República; Tuxaua Buopé, um guerreiro da Amazônia (1990), sobre a defesa do meio-ambiente; As artes e manhas do Barão de Itararé (1991), sobre o humorista Aparício Torelly; Pacotão, 20 anos na contramão (1998), sobre o Pacotão; Sou negro, forte, destemido, batuqueiro, libertário. Sou Solano Trindade (2004), sobre o poeta negro Solano Trindade; Portinari, as cores e as caras do Brasil (2012), sobre o pintor Cândido Portinari; e Minha jangada vai sair pro mar pra festejar o centenário de Dorival Caymmi (2014), sobre o cantor e compositor baiano Dorival Caymmi.

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História

Como a maioria dos seus fundadores eram portelenses, as cores escolhidas para a nova escola foram o azul e o branco, que foi batizada pelo grande ícone do Carnaval carioca, Natal da Portela, e virou afilhada da Portela.

Além da sua vitoriosa escola de samba, a ARUC sempre teve atuação destacada no esporte, com equipes vitoriosas e campeãs em várias modalidades, na cultura, com a realização de shows e eventos como o Concerto Canta Gavião e o Cine Clube Gavião, e em atividades comunitárias, com a realização de projetos sociais voltados para a juventude e de cursos de capacitação profissional para a cadeia produtiva do Carnaval.

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A ARUC foi fundada no dia 21 de outubro de 1961, por um grupo de funcionários públicos, recém transferidos do Rio de Janeiro para a nova Capital.

Por tudo isso, a ARUC recebeu o registro como Patrimônio Cultural Imaterial do Distrito Federal, pelo Decreto nº 30.132, de 4 de março de 2009, do Governo do Distrito Federal.

Apesar de toda essa história vitoriosa, a ARUC vive há anos um dilema com a não renovação do contrato de concessão de direito real de uso da área que ocupa desde 1974, vencido em 1993, e que até hoje não foi renovado.

A regularização da área ocupada pela ARUC é uma luta que se arrasta há mais de 20 anos, e é fundamental para a sobrevivência da ARUC, para que ela possa revitalizar a área e melhorar seus serviços e projetos que beneficiam a comunidade do Cruzeiro e de Brasília, no samba, esporte e cultura.

Nesta semana, um alívio, a Câmara Legislativa do DF aprovou o projeto de lei nº 1112, de 2016, de autoria do Executivo, que cria um instrumento jurídico e legal para a regularização da área ocupada pela ARUC.

O Projeto diz que é permitida a cessão de uso de bens imóveis à entidades privadas registradas como bem cultural material ou imaterial do Distrito Federal e que isso é causa de inexigibilidade. Esse é o caso da ARUC. E que a cessão de uso será formalizada mediante termo de uso, no qual conste as condições estabelecidas, e será de competência do Secretário de Estado responsável pela gestão do bem público imóvel.

O Projeto tramita desde maio deste ano, em regime de urgência, e já foi aprovado na CCJ e está aguardando aprovação da CAS e da CEOF, antes de ser votado em plenário.

Aprovado o Projeto o próximo passo será formalizar a cessão de uso e o termo de uso pela Secretaria de Esportes, responsável pela gestão da área, com base nesse dispositivo legal.

Além disso, o cancelamento dos desfiles das escolas de samba, por dois anos consecutivo, causou muitas dificuldades para a ARUC, mas, mesmo assim, a entidade tem mantido suas atividades, promovendo mensalmente a tradicional Feijoada do Gavião, sediando eventos de samba e mantendo seu Grupo Show em permanente atividade, com apresentações em eventos públicos, como a festa de recebimento da Tocha Olímpica, em Brasília, a Maratona do Samba, e privados, como festas de casamentos, aniversários, formaturas, confraternizações, entre outras.

Afinal, como já ensinou o Mestre Nelson Sargento, “o samba agoniza, mas não morre”.

Festa

A festa de comemoração dos 55 anos da Aruca vai ser dia 23, às 13 horas, regada a feijoada, com a presença do cantor e compositor Serginho Procópio, da Velha Guarda da Portela, ex-presidente da Portela, é o convidado especial da Feijoada do Gavião, em comemoração aos 55 anos da ARUC, no dia 23 de outubro, a partir das 13 horas. O evento terá, ainda, as participações de Fabinho Samba e Banda Patacori e da Bateria Ritmo Quente da ARUC.

Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
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