2-alcantara-dez-2013-167bPoema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

 

         Pode ainda o cancioneiro não saber
Como pode um peixe vivo…?
Morto, sim, se Maria não é mais Ana
E se o Rio não é mais Doce?

Hoje, o Planeta é muito mais sangue.
Mais petróleo, por mais que se diga:
‘Este recurso não é renovável!’,
Preferível seres mais amáveis.

Capazes de tropeçarem sobre outrem
E dele troçar, cadáver de diferenças.
Pois, hoje, digo e bendigo:
Abençoados os umbigos fora de si.

Alguém, sobre borbulhas, insiste:
“Quisera ser um peixe…”
E o saudoso, de outra geração…
“Como pode um peixe vivo…?”

Pois, de muito que indago:
Como pode alguém não ser alguém?
Incapaz de ser peixe,
Só porque não há mais água?

Antônio, sim, o santo, no sermão
Foi pregar aos peixes. Sem teimosia,
Melhor uso faziam da consciência.
Confuso? Não, na ciência do cardume.

Então, não me venha mais com esta
De até hoje não se saber como ser peixe!
Pois, então, continue na música-chiclete:
“Para em teu límpido aquário mergulhar…”

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