received_10210723096894765Por Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna. 

 

Despreocupados do mundo, uni-vos, pois
Tendes muito a ganhar
Nesta ocupação de si,
Consciência a zelar.

Despreocupados do mundo, uni-vos, pois
Hora de sair de um torpor
E olhar atento em redor
O que nos impõe o dever.

Despreocupados do mundo, uni-vos, pois
Nada tendes a perder nos espaços
Coletivos, mas, privados,
Corrompidos na função.

Despreocupados do mundo, uni-vos, pois,
Hora de pulsar um coração
Intimidado e falho
Com o avanço dos espertos.

Despreocupados do mundo, uni-vos, pois,
Agora, os sonhos mais brandos,
Impossíveis, se perturbam o sono
Os que falam em vosso nome.

Despreocupados do mundo, uni-vos, pois
Hora de ir ao socorro
Da Pátria que virou cifras
Ao toque ilusório dos números.

Despreocupados do mundo, uni-vos, pois
Os que juram pelos juros
Reúnem-se em conchavos
Indeléveis à razão.

Despreocupados do mundo, uni-vos, pois
Vestem a história de versões,
E a verdade, oculta, por ser nua.
Hora, pois, de lemas e cordões.

Despreocupados do mundo, uni-vos, pois
Hora de replantar cores;
Hora de reviver amores,
Valores de nossos corações.

Clama a mais alta das leis
Que nos desperta em essência:
Temos de ouvir em silêncio
As vozes que falam por nós?

Adiar temos, de novo
O sorriso do presente?
Pagar uma dívida eterna
De um futuro que não vence?

Anúncios