Invasão chique no Park Way

ocupacao-na-17-closeÁrea de 20 mil metros com vegetação natural de cerrado é apropriada por morador do Park Way

Por Carlos Cristo*

 

Quem caminhasse nesse domingo (20/11) de chuva pela vizinhança da quadra 17, do Park Way, iria se deparar com uma inacreditável construção de uma cerca, tipo alambrado industrial, revestido de chapa metálica, com mais de 2 m de altura, se apropriando de área verde estimada em uns dois hectares (20 mil metros² de mata original de cerrado. No meio do terreno, podia se ver manilhas de cimento e um monte de areia. Até um portão já tinha sido instalado.

O responsável pela apropriação indevida de área pública foi identificado: um morador do condomínio vizinho. Imediatamente, a administração Regional do Park Way foi comunicada e o chefe de Gabinete, se fez presente e foi informado pelo morador que ele disse ter perguntado ao recepcionista da Administração Regional se poderia cercar o terreno e a uma vizinha, antiga moradora do bairro, e que não obteve nenhum posicionamento contrário ao cercamento. A justificativa para toda esta agressão ao meio-ambiente, numa área inserida na Apa Gama-Cabeça do Veado, seriam sucessivas invasões de sua casa – três – registadas na polícia civil, segundo ele. As invasões teriam partido dessa área verde, pública.

Entre os que ouviram tal história, o sentimento foi de estranheza, tanto a narrativa das “orientações” recebidas quanto da justificativa.  No lugar de cercar uma área pública, maior segurança seria reforçar o perímetro do próprio lote. A edificação dessa cerca permitiria muito mais impedir que de fora, os vizinhos pudessem verificar o que estaria sendo feito dentro da área pública. Há suspeita de que a mata de cerrado fechado daria lugar a instalações de lazer, tipo quadra de esportes, por exemplo, … a instalação de um amplo portão de correr e de manilhas para drenagem pluvial, sugere usos outros usos do que a simples proteção.

Diante da resistência dos moradores, a direção da Associação dos Moradores e Amigos do Córrego do Mato Seco – Amac  acionou o comando da Polícia Militar Ambiental, a Agefis e o secretário de Meio-Ambiente, André Lima. A presidente da Agefis, Bruna Peres Pinheiro, respondeu que já estava tomando as providências necessárias e que ” essa invasão não ficará lá”.

A Amac entende que o Park Way, com as suas manchas de vegetação nativa. em hipótese alguma, pode ser descaracterizado, pois isso resultaria em prejuízo à qualidade de vida e ao patrimônio ambiental.

É no Park Way que corre o Ribeirão do Gama, principal afluente do Lago Paranoá. Retirar suas matas pode prejudicar o córrego e toda a população de Brasília, que já vive uma crise hídrica.

As questões de segurança devem ser conduzidas via o Conselho de Segurança do Park Way – Conseg. O Park Way, embora a sua potencial vulnerabilidade, é uma das regiões mais seguras, do DF.

As áreas públicas merecem um estudo criterioso. Para algumas, a anexação pode ser positiva, mas o uso privado, deve ser regulamentado e taxado. Outras devem ser abertas ao uso comum e preservadas com flora original.

*Arquiteto e Urbanista, diretor da Amac e Membro do Conselho Local de Planejamento do Park Way.

Em menos de 24 horas, invasão chique de área pública é retirada

ocupacao-qd-17-retirada-2Conforme o comandante da Polícia Militar Ambiental do DF, Rogério de Miranda, e a presidente da Agefis, Bruna Peres Pinheiro, haviam prometido à comunidade do Park Way, de que “essa invasão não ficará lá”, numa ação imediata e efetiva, a Polícia Militar Ambiental e ocupacao-qd-17-retiradademais órgãos do GDF retiraram na manhã da segunda-feira 21/11 as estruturas que estavam sendo usadas para a apropriação de área pública, área de cerrado original.

Foi necessário um trator, do tipo pá mecânica, para retirar as estruturas metálicas, inclusive um portão em chapa dobrada de acesso à área pública cercada, conforme demonstram as fotos distribuídas pela Polícia Militar. Segundo a presidente da Agefis, o responsável pela invasão pagará todo o custo da operação e levará uma multa por invasão de área pública. Participaram da ação agentes da subchefia de Ordem Pública e Social (Sops), da Casa Militar, da própria Polícia Militar e da Agefis.

 

 

 

 

 

Sobre Brasília, por Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
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2 respostas para Invasão chique no Park Way

  1. A que ponto chega o cinismo!

    Acho que vou consultar a estagiária de portaria da Administração Regional. Se ela falar que não há irregularidade, acho que vou ocupar uns 60 mil metros de área verde aí pelo Park Way. Ou quem sabe o gramado da Esplanada dos Ministérios.

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    • Joselito disse:

      Quem sabe cinismo maior seja transformar isso em um circo enquanto invasões reais, antigas e esscancaradas acontecem bem ao lado, mas ninguém faz nada. Vejo aqui um cinismo seletivo generalizado!

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