manifestacao-novembro-de-2016-orlando-britoPoema de Luiz Martins da Silva. Foto de Orlando Brito

 

Uma esplanada é mais que uma praça,
É uma ágora onde é livre aparecer,
Pensar, polemizar, argumentar, protestar e
Se preciso for, ser agônico até o apocalíptico.

Do que em nome de todos foram até o Partenon,
Para dizer sim, não ou não está na hora,
Por ainda não entendermos o que está acontecendo,
Uma praça não pode, portanto, ser um adro de guerra.

Não podemos ser desterrados da nossa terra,
Expulsos a gás, cavalaria e pontapés,
Como se não fosse lá o chão da consciência,
Que não precisa licença e dispensa impaciência!

De boa fé e bons modos ergue-se o acampamento
Para expressar o que vem ao pensamento.
Antes que a decisão careça de lastro,
Na esplanada está o nosso mastro, pavilhão.

Acima de todas as contraditas bandeiras,
Aquela que a todos nos protege em sua sombra.
Por quê, então, o assombro de temer gente
Se a inteligência pede escuta e ponderação?

Se a praça é do povo como o céu é do condor;
Se o povo é da praça como a graça é da alegria;
Qual o sentido de ser Alepo e não Brasília?
Por quê o dito há de ser interdito se grito for?

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