juritis-mortasSilenciado o canto das juritis. Aves nativas são mortas por agrotóxicos na Ponte Alta, no Gama (DF). 

 

Publicado originalmente no Blog Gama Livre

Várias espécies de aves nativas, em especial juritis, tem sido encontradas mortas, envenenadas, na área rural do Gama, na região da Ponte Alta de Baixo, nas lavouras localizadas às margens da rodovia DF-180, que conecta com a DF-290 à Br-060 (entroncamento do Engenho das Lages).

Na localidade, foi constatada a mortandade das aves em plantações de milho, causada por uso de um agrotóxico  conhecido como furadan conforme informações apuradas no local  pela Patrulha de Inteligência Ambiental.

A juriti-pupu é uma espécie de pomba, como pu-pu, pelo seu canto. Imortalizada na Canção de Waldemar Henrique:

Juriti, Juriti, Juriti Teu gemido me faz tanto bem
Juriti, Juriti, Juriti Como tu, vivo eu triste também

Com a morte repetida dessas aves, tem sido cada vez menos frequente a presença das juritis nos fins de tarde no Gama. Tradicionalmente, os pássaros se concentravam na avenida Contorno, margeando à quadra 12, Conjuntos A e B,  do Setor Sul do Gama, quando faziam o trajeto entre a região da Ponte Alta de Baixo e a região de Santa  Maria. 

Numa dessas lavouras de milho um gavião ao se alimentar de uma juriti também foi morto. A ave estava envenenada.
Numa das lavouras de milho um gavião morreu ao se alimentar de uma juriti morta. A ave estava envenenada.

Esse agrotóxico, que é misturado  nas sementes na hora do plantio, envenena as aves que tentam se alimentar. É colocado nas covas com objetivo exclusivo de eliminar  essas aves que desenterram as sementes e se alimentam, até mesmo depois de germinadas. É um método criminoso —a aplicação de tal agrotóxico— que além de ameaçar a  extinção dessas aves, causa danos ao meio ambiente e à saúde  humana. Esse agrotóxico, de  acordo com pesquisas,  infiltra no solo contaminando-o, chegando até  às águas e permanece  na planta da raiz ao fruto e  ao ser consumido pode provocar câncer e  morte em animais ruminantes, e também ao homem.

Existem outros métodos de proteger o plantio dessas lavouras  dessas aves, um deles é fazer uso de rojões, alto-falantes com  ruídos estridentes, vigilância, espantalhos, e outros.

Alguns agricultores dessa região ao fazer o plantio, deixam espalhados  fora das covas  grãos dessas sementes  para essas aves se alimentarem, evitando que não desenterrem as que foram semeadas. Poucos agricultores da Ponte Alta  não utilizam esse agrotóxico, usando métodos não danosos ao meio ambiente e ao homem para preservar as  suas lavouras.

Patrulha

Uma equipe da Patrulha de Inteligência Ambiental, ONG que investiga crimes ambientais, esteve nessas lavouras e registrou  a morte dessas aves e até armadilhas para capturá-las (veja fotos). No lado oficial uma viatura do BPMA-DF do GTA ( Grupo Tático Ambiental) esteve numa dessas lavouras, ouviu trabalhadores mas não registrou fotos de aves mortas.

Tudo leva a crer que está havendo  descumprimento do artigo 225 da Constituição Federal e da Lei 9.605/98  por parte dos órgãos do Poder Público encarregados de proteger o meio ambiente, não fiscalizando a forma de plantio dessas lavouras no DF. A Patrulha Ambiental cobra a ação de órgãos como a EMATER-DF, IBRAM, DEMA, entre outros,

 

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