Mobilidade urbana: Custo político da alta das tarifas do transporte

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Com o mais recente aumento das passagens, passageiros pagarão até R$ 5,00 por trecho. Foto de Chico Sant’Anna

O governo não tem sido competente para rever a principal razão do alto custo do sistema, que são os próprios contratos que foram construídos por Agnelo e Filippeli.

Por Leandro Freitas Couto*

O ano fechou muito mal para o Governo de Brasília. Depois da derrota na eleição da presidência e mesa diretora da Câmara, no penúltimo dia do ano, é anunciado o aumento da tarifa do transporte público do Distrito Federal. Um erro político grosseiro de Rollemberg, que promove o segundo aumento no seu governo, prejudicando a população mais vulnerável num momento de crise econômica.

A crise é nacional, mas já bate com toda a força no Distrito Federal. Desemprego em alta, vendas no comércio e produção em baixa. Na lei orçamentária de 2017, os investimentos públicos caem com relação ao ano que se encerra. A PEC 55, aprovada no congresso nacional, pode diminuir as transferências voluntárias do governo federal para Brasília. O cenário econômico para 2017 é muito ruim.

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Para 2017, o salário mínimo será reajustado em 6,4%. A inflação acumulada em Brasília em 2016 foi de 4,5%. O governo, como seu último ato do ano, aproveitando o clima das festas e a cidade “esvaziada”, promove um aumento de mais de 15% nas tarifas do transporte público, chegando a 25% na maior tarifa. Isso pode se refletir no aumento do desemprego, dado que empregadores podem não suportar esse nível de aumento dos custos. De outro lado, turbina a inflação e diminui ainda mais o poder de compra do trabalhador mais pobre.

O Governador “socialista” parece não ter se preocupado com essas questões. Seu foco está exclusivamente voltado para a redução de custos e viabilidade financeira do DF. Todavia, seus assessores deveriam informar que a recuperação econômica do DF depende da ativação da economia local e a medida atual vai no sentido contrário.

Mais ainda, o governo não tem sido competente para rever a principal razão do alto custo do sistema, que são os próprios contratos que foram construídos por Agnelo e Filippeli. A justiça já determinou a suspensão dos contratos e a realização de nova licitação, mas o governo protela. Enquanto toda a economia patina, as empresas de ônibus têm seus lucros garantidos e tarifas técnicas reajustadas anualmente.

Depois de 10 anos sem aumento, em 2015 as tarifas foram reajustadas em 77%. Era o primeiro ano de governo e a situação fiscal não deixava outra alternativa. Depois de dois anos de governo e três secretários de mobilidade, a caixa preta da mobilidade ainda não foi aberta. O governo parece ter avançado no combate ás fraudes, fazendo um amplo recadastramento dos estudantes que têm direito à gratuidade. Ironicamente, a gratuidade do sistema é utilizada como argumento para justificar o novo aumento.

Por tudo isso, é de se esperar uma reação forte da população à medida do governo. Com a popularidade já muito baixa, o foco exclusivo no caixa, com olhar de curto prazo, está afundando as perspectivas políticas de Rollemberg. A escolha de penalizar a população mais pobre, enquanto continua dando isenção total do IPVA para quem compra carro zero km, por exemplo, cobrará seu preço político. E o Governador já não conseguirá mais arcar com esse custo.

*Leandro Freitas Couto é presidente do sindicato nacional da carreira de planejamento e orçamento do governo federal e pesquisador do IPEA. Em 2015, foi subsecretário de Planejamento e Gestão Estratégica e secretário adjunto de Mobilidade do DF.
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Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
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2 respostas para Mobilidade urbana: Custo político da alta das tarifas do transporte

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