Transporte com preço de Primeiro Mundo

brt-passageiros-09-09-2014-2A única coisa de primeiro mundo no sistema de transporte de Brasília é o preço. Rollemberg conseguiu uma tarifa mais cara do que a de Londres.

Por Chico Sant’Anna

Um dos raros governadores que enfrentou o cartel dos ônibus foi José Aparecido. Na Nova República, criou o Caixa Único e passou a remunerar as empresas por quilômetro rodado e não por passageiros carregados. A medida permitiu remunerar o transporte público pelo o que ele havia efetivamente custado. Uma linha mais rendosa subsidiava a deficitária. Pagando por quilômetro rodado, passes estudantis, de idosos e outros não eram cobrados pelas empresas de ônibus, pois pra elas carregar 200 ou apenas uma pessoa num ônibus representava a mesma remuneração, calculada numa planilha aberta à sociedade. Para as empresas era mais lucrativo colocar mais ônibus circulando e não encher poucos ônibus com milhares de passageiros.

O Caixa Único ainda podia ser reforçado com receitas de publicidades nos coletivos, terminais e pontos de ônibus, receita de estacionamento pago, além de quantias arrecadas das multas aplicadas às próprias concessionárias. Era um fundo para custear a mobilidade urbana.

Publicado originalmente na coluna Brasília, por Chico Sant'Anna, no semanário Brasília Capital

Publicado originalmente na coluna Brasília, por Chico Sant’Anna, no semanário Brasília Capital

Aparecido foi sucedido por Joaquim Roriz, que acabou com o Caixa Único e restabeleceu o sistema preferido pelas empresas. Embora o método facilitasse o bilhete único e a integração das linhas, Agnelo, que teve a oportunidade de recriar o Caixa Único, preferiu manter a lucratividade das concessionárias. O então secretário de Transportes, José Walter Vásquez, alegava que o sistema de quilometragem incentivava as empresas a não pararem nos pontos para pegar passageiros. A frágil explicação não considerou que os ônibus contratados deveriam ter GPS e eram passiveis de monitoramento em tempo real.

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Rollemberg, ao receber ordem judicial para abrir nova licitação de contratação de empresas de ônibus, também teve oportunidade para criar novas regras de contratos. Preferiu insistir na licitação considerada viciada pelos tribunais. Agora, vivencia um sistema deficitário e inoperante. A única coisa de primeiro mundo no sistema de transporte de Brasília é o preço. Rollemberg conseguiu uma tarifa mais cara do que a de Londres.

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Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
Esse post foi publicado em Brasília - DF, Distrito Federal, GDF, Mobilidade Urbana, Secretaria de Transportes, Sistema Viário, Transporte Coletivo. Bookmark o link permanente.

3 respostas para Transporte com preço de Primeiro Mundo

  1. Andreia disse:

    Gostaria que essa matéria chegasse aos nossos governantes. Ainda acredito numa Brasília melhor. Mudar ainda é possível. Uma salva de palmas para a genial iniciativa de José Aparecido e de Chico Sant’ Anna pela matéria.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Pingback: Metrô DF: Sem previsão para a expansão das linhas | Brasília, por Chico Sant'Anna

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