tamboril-arvorePoema e Foto de Luiz Martins da Silva

Sejamos maritacas, periquitos, caturritas.
Sequer leram “A aula de canto” ( * ),
Mas, como se desembestam,
Sobretudo, mantidos a castanhas
Da espécie Livre para voar.

Galinhas, também sábias.
Até as prefiro às águias.
Contentam-se com ciscos e ciscar,
Tomam banhos de terra e, depois,
Penas a se coçar.

Aulas de pranayama?
Basta um gato em casa.
Eles sabem das manhas,
Contorces e alongamentos.
Dão-lhe colo, dormindo no seu.

Não fique num canto a solo.
Inscreva-se na gratuidade das coisas.
Não se afaste do seu cão.
A não ser, por telepatias.
Dias antes, ele sabem da chegada.

E o tamboril? Não é, mas parece.
É o Brasil. Outro dia, no quintal,
Um broto, nem se sabia feliz.
Hoje, simplesmente aconselha:
Olha pro céu, aprendiz!

* Conto de Katherine Mansfield (1888-1923)
Anúncios