ha-long-bay-148-closePoema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

A morte quer os bons.
O céu, quer os querubins.
Mal me quer; para cá;
Bem me quer, para lá.
Quem fica, afinal, com a cruz?

Os que se vão, vão.
De nave ou de aeronave.
Ir não propriamente seduz,
O anticharme do além.
O sábio diz: ilusão é aqui.

Na verdade não há um céu,
Pois sete são as camadas,
Sete são as chamadas.
Sete são os ensaios,
Até se encenar O Nirvana.

Ele sempre ganha
No jogo de sete erros,
Todos nossos. Mas, um dia,
O avião sumiu, longe daqui
Nas cercanias de Parati.

Foi a Vontade Suprema.
Ou, artimanha tremenda.
Alguém resolveu facilitar,
Inventando a chuva e o mar?
Simples, quando la nave va.

Desde quando o filme era PB
Que não sabemos patavina.
Sócrates, que sabia das coisas,
Foi antes da ordem divina.
Não sem antes dizer: “Sei que nada sei”.

Não sabemos do destino,
Nem no primeiro embarque.
Esqueça, faça a sua parte.
Façamos como Fellini,
Um oceano de plástico.

Alguém dirá por psicografia,
Que se dá como na fotografia:
O lado de cá é o negativo.
Ao se revelar o retrato,
Aí, sim, aparecemos, de fato.

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