GDF: Reprise de um filme

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O jornalista Paulo Fona, ex-porta-voz de Roriz, ex-assessor da governadora gaúcha, Yeda Crusius (PSDB), e da ex-distrital, Jaqueline Roriz (PTB), foi o nome escolhido por Rollemberg para tentar mudar a imagem de governo nesses últimos dois anos de gestão.

Por Chico Sant’Anna

Quem olha pra realidade política candanga tem a sensação de que vê um remake da gestão Agnelo. O debate do futuro de Brasília, via as leis de Uso e Ocupação do Solo – LUOS, do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília – PPCUB e de outras propostas de adensamento urbano do Distrito Federal, repete a crise que levou ao desgaste político de Agnelo Queiroz. Para melhorar a imagem, Agnelo trocou várias vezes seus marqueteiros. O último foi André Duda, ex-assessor de Joaquim Roriz, de José Roberto Arruda e de Rogério Rosso. Rollemberg acaba de nomear seu quarto secretário de Comunicação. O escolhido é o jornalista Paulo Fona, ex-porta-voz de Roriz, ex-assessor da governadora gaúcha, Yeda Crusius (PSDB), e da ex-distrital, Jaqueline Roriz (PTB).

Carteiro

Embora com estratégias e procedimentos diferentes, não foi a falta de competência profissional dos comunicadores que fez passageiras suas estadas  no GDF. Como se diz popularmente, não culpe o carteiro, se a mensagem é ruim.

E ruim tem sido a administração Rollemberg. Cheia de tropeços, de falta de transparência e de sinalizações confusas para a sociedade. Em plena crise hídrica, legislações fundiárias que estão sendo estudadas parecem à opinião pública estarem pouco afeitas aos problemas ambientais e de favorecerem interesses da especulação imobiliária, percebida como responsável pela escassez de água.

Mesma postura parecem ter os parlamentares que representam os brasilienses no Congresso Nacional e na Câmara Legislativa. A recente reunião de parlamentares federais e distritais, da base de apoio e da oposição em torno de uma pauta mínima, supostamente para ajudar o GDF a sair do buraco, reforça essa percepção de que as preocupações ambientais, sociais e comunitárias. Prevalece a filosofia de privilegiar os grandes setores econômicos da capital. Leia-se empreiteiros e especulação imobiliária.

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Capitaneados pelo deputado federal, Izalci Lucas (PSDB), que já está de olho na vaga de governador do DF, parlamentares elencaram uma agenda tida como salvadora da crise do GDF, mas que soa como tintilar de moedas aos ouvidos dos empresários da capital.

Áreas econômicas

Capitaneados pelo deputado federal, Izalci Lucas (PSDB), potencial candidato ao GDF, os parlamentares elencaram uma agenda que soa como tintilar de moedas aos ouvidos dos empresários da capital.

A frente parlamentar é ampla. Vai do presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle, passando pelo PT, de Wasny De Roure; PPS, de Celina Leão e Cristóvam Buarque; chegando a Rogério Rosso (PSD), Reguffe (sem partido), Laerte Bessa (PR) e o Coronel Alberto Fraga, do DEM. A Frente não elencou a Saúde Pública, que enfrenta sua pior crise, como ponto prioritário. Preferiu defender uma rápida apreciação da LUOS e que contemple a criação em cada região administrativa do DF, de novas áreas para desenvolvimento econômico. Isso é tudo que moradores de áreas como Taquari, Lago Sul e Norte, Jardim Botânico e Park Way – bairros que hoje abrigam importantes mananciais d’água e ainda possuem largas manchas de vegetação original – não querem. Alguns até aceitam comércio local, mas no jargão urbanístico, área de desenvolvimento econômico contempla até pequenas indústrias.

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Publicado originalmente na coluna Brasília, por Chico Sant’Anna, no semanário Brasília Capital.

Outro ponto consensuado é a regularização fundiária. Leia-se a legalização de milhares de casas construídas irregularmente em áreas públicas, muitas de proteção ambiental: uma resposta às ações de derrubadas de condomínios pela Agefis. Como já ficou demonstrado tecnicamente, a grilagem de terras e a construção em áreas de proteção ambiental são umas das razões da crise hídrica que vivemos. Os parlamentares distritais e federais querem ainda um novo Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT). O último data de 2012. O objetivo é “garantir a segurança jurídica em relação à ocupação do território e ao uso do solo no DF”. Traduzindo, legalizar o irregular e possivelmente, ampliar os gabaritos permitidos construção maiores nos lotes existentes. Foi com ações desse tipo que Águas Claras viu seu gabarito de no máximo oito andares chegar a prédios com mais de 30 pavimentos.

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A agenda prioritária definida na reunião dos parlamentares não demonstra preocupação com a questão ambiental do Distrito Federal.

Crise hídrica

Resumindo, os parlamentares querem passar uma borracha nas irregularidades fundiárias cometidas no passado e que tanto afetam hoje a crise hídrica que o brasiliense é obrigado a penar.

Além de um incentivo à grilagem de novas áreas, significa o abandono de planejamento urbano, ambiental, e viário. Significa validar o que está fora da lei, sem qualquer respeito a um zoneamento ecológico-econômico.

A frente também priorizou a recuperação dos recursos do Fundo Constitucional, a questão das tarifas do transporte público e, por fim, as questões que travam a captação d’água de Corumbá IV, mas esse ponto está mais na conta do governador goiano, Marconi Perillo.

Vai ser difícil pro GDF jogar contra esta agenda defendida por pesos pesados da política local e que certamente estão apoiados por pesos pesados da economia local. Com uma agenda pesada assim e sem uma base parlamentar segura é difícil imaginar que o novo titular na secretaria de Comunicação garantirá nesses próximos dois anos de governo a boa imagem desejada por Rollemberg.

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Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
Esse post foi publicado em Brasília - DF, Câmara Distrital, Câmara dos Deputados, Congresso Nacional, Desenvolvimento Urbano, Distrito Federal, Economia & Finanças, Eleições, Eleições em Brasília, GDF, Gestão de recursos públicos, Meio ambiente, Política & Partidos, Recursos Hídricos, Regularização Fundiária, Terra & Grilagem, Urbanismo. Bookmark o link permanente.

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