Você conhece as aves de Brasília? Conheça aqui o Meia-Lua-do Cerrado

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Meia-Lua-do Cerrado, fotografado por João Rios, em novembro de 2016, na região do Altiplano Leste, no Distrito Federal.

Textos com base no Wiki Aves, a Enciclopédia das aves do Brasil.
Fotos de João Rios e Rogério de Castro.


Por Chico Sant’Anna

Da família dos Rhinocryptidae, o Meia-Lua do Cerrado é tradicionalmente encontrado nos cerrados dos estados do Pará, Piauí, Goiás, Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul além, é claro, da Capital Federal. Esse da foto, foi focado por João Rios, em novembro de 2016, na região do Altiplano Leste, no Distrito Federal. Mas a ave, da espécie Melanopareia torquata, atravessa as fronteiras e pode ser encontrada em pequenas áreas da Bolívia e do Paraguai.

Seu nome científico, Melanopareia torquata,  vem do grego e significa: melas, melanus = preto; e parëion = bochecha; e torquata, torquatus, torques = com colarinho, com colar, colar, ou seja: Pássaro com colar e bochecha preta. Popularmente, é conhecida também como macuquinho-de-colar e tapaculo-de-colarinho. Mas não confundir com o Tapaculo de Brasília (Scytalopus novacapitalis), descoberto por ocasião do início da construção da Capital Federal.

Para mais detalhes sobre o Tapaculo de Brasília leia:

Existem três subespécies reconhecidas. A mais comum em Brasília é a:

  • Melanopareia torquata rufescens (Hellmayr, 1924) ocorre no bioma Cerrado da região central e sudeste do Brasil e no extremo nordeste do Paraguai. Esta subespécie é muito semelhante a subespécie torquata, difere por ter a coroa marrom-acastanhada ao invés de castanho-acinzentado;

Além dela, existem ainda:

  • Melanopareia torquata torquata (Wied-Neuwied, 1831) ocorre no bioma Cerrado do leste do Brasil, no sul do estado do Piauí e no leste do estado da Bahia;
  • Melanopareia torquata bitorquata (Orbigny & Lafresnaye, 1837) – ocorre no Cerrado do leste da Bolívia na região nordeste de Santa Cruz e na região adjacente do Brasil. Difere bastante das duas outras subespécies (Cory e Hellmayr 1924). As partes superiores são marrom oliváceas, e as retrizes são marrons e não castanhas. A borda anterior da nuca castanha faz fronteira com uma gola preta estreita, raiado de branco, e o acastanhado do colar nucal é mais profunda na cor. A cor das partes inferiores também é mais profunda, ao invés de ocráceo claro (Cory e Hellmayr 1924, Krabbe e Schulenberg 2003).
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Meia-Lua-do-Cerrado fotografado por Rogério de Castro, em junho de 2016, no Parque Ecológico Bernardo Sayão, em Brasília.

Características

Não é um pássaro grande. Mede 14,5 centímetros de comprimento e pesa entre 16 e 23 gramas. Pode ser facilmente identificado pelo seu colar negro que atravessa a região da garganta e pela sobrancelha branca logo acima de uma larga faixa negra sobre os olhos que se estende da base do bico até a nuca, a parte inferior é branco-amarelada e a costas ferrugíneas. Possui ainda uma mancha ferrugínea mais avermelhada na nuca que se estende até o colar negro nos lados do pescoço. Existe dentre a espécime um dimorfismo sexual de plumagem. O macho apresenta máscara facial completamente negra, enquanto as fêmeas apresentam-na em tons desbotados e fuliginosos.

É uma ave de difícil visualização por permanecer a maior parte do tempo muito próxima do solo. Habita cerrados abertos com arbustos esparsos. Alimenta-se, principalmente, de pequenos insetos, por isso, gosta das áreas ricas em cupinzeiros .Vive solitário ou, no máximo, aos pares, pulando próximo ao chão, escondido sob o capinzal. Até mesmo os ninhos são no solo. O ninho é fechado e globular, feito no chão em moitas de gramíneas. Põe dois ovos que são incubados de 15 a 18 dias. Às vezes os machos se empoleiram em arbustos baixos para cantar, tornando-se mais evidentes.

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Meia-Lua-do Cerrado, fotografado por João Rios, em novembro de 2016, na região do Altiplano Leste, no Distrito Federal.

Conservação:

Embora não tão fáceis de se encontrar, o estado nacional de conservação dessa espécie é considerado pouco preocupante.

Contudo, o avanço de criações extensivas de gado, provocando a substituição da vegetação do cerrado por pastos, tem feito diminuir a ocorrência dessas aves, principalmente no Sudeste do Brasil. Em localidades como o Estado de São Paulo, já se encontra na lista de espécimes ameaçadas de extinção.

Estado de Conservação Nacional
Pouco Preocupante

Cantam durante todos os meses do ano. Seu canto é melódico, mas considerado pelos especialistas como monótono. Ele é composto por uma sequência monossilábica, de longo alcance e emitida espaçadamente em séries de número variável de notas. Há diferenças para os chamados de alerta, caracterizado como um ‘pirrr’ discreto, emitido em pares, normalmente em resposta ao canto típico do parceiro,

Ouça aqui o canto do Meia-Lua do Cerrado no vídeo de Leandro Moreira 

 

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Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
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