mascaras-fundo-vermelho2Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

Outrora, pausa para delírio,
Fantasia de que?
Pierrô, colombina, pirata…
‘Mais de mil palhaços no salão’…

Agora, os foliões da grana pública;
Fanfarrões, baladas de políticos;
Fachadas de homens públicos;
Saudosos palhaços de palanques.

Fantasmas no escurinho das grades;
Dançarinos de tornozeleiras;
O baile dos foros privilegiados;
E o frevo premiado das delações.

O povo, uma vez ao ano, blocos de sujos,
Ou suar a camisa o ano inteiro
Para ser passista em fevereiro,
Dar tudo de si para a glória de uma escola.

Estranho samba-enredo de nação,
De dezembro a janeiro, a batalha do pão.
Finalmente, hora de se esbaldar da folia:
Rei, rainha, pierrô, colombina, bufão.

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