img-20160301-wa0075Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Thiago Luz

 

O trovão acabou de destravar a trave das comportas,
Sem antes faiscar severos percalços
A que tanto obedecem às ondas e os temores.

Desde reverências, as mais a-históricas, às vidraças,
Dos persas, medos, caledônios e candangos…
Céus e terras se arremedam em cios indiscretos.

Eu plantei sementes de girassol no Crescente
Para que algo nos guarde predispostos aos vagalumes
Que hão de nos proteger dos impropérios temporais.

Sei que nenhum tsunami desembarcará por aqui,
Mas, não podemos nos esquecer que até por lá
Chegará a contingência de um simples farfalhar de asas.

Eu cultivo movimentos de borboletas em minhas miragens
E recomendo firmemente que prossigam em deus devaneios
Porque temos de estar em paz, desde as nossas íris.

Colher no pé uma fruta é tão solene quanto pisar na lama
E sentir que o chão é sempre outro quando aos nossos pés.
Isto bem o sabem, dos seres ínfimos aos netos que hão de vir.

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