Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

Que pessoa habita em mim desde uma proto-presença
E por quem me curvo antes mesmo que tivesse um nome?

Nem todos os grãos semeados ondulam à prata do luar,
Mas, eu os recolhi, era o que podia, nem sei se lar-doce-lar.

Lá, naquele umbral, quando a divindade pesar meu coração,
Espero pluma, tão leve quanto o ar de um rio puro e doce.

Alguém poderá redarguir de uma tribuna oficial:
Ninguém que se tenha feito ao rés do gozo se salvará!

Então, nem pai, nem mãe, nem filhos, todos seremos,
Pois, de verdade verdadeira, viver é entre irmãos.

Tudo o que posso brandir não são pertences meus,
Talvez, uma ou outra divisa: sem pão, coma o meu abraço.

Eu escrevi na areia, para que logo a espuma memorizasse
Uns quantos nomes que prosperam para sempre nos meus traços.

Sangue, ora sangue, é tão somente o que rogo a Deus:
Não me o permita, afasta de mim qualquer cale-se.

O que quer que de mim queiras, pode fazê-lo. Bandeira? Liberdade.
Mas, altar-mor de amor entre todos nós é estarmos em paz.

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