Por Luiz Martins da Silva

 

Pode alguém em sã correspondência
Propor o fim dos correios?
É como dar fim ao meio
Do que tem início
Desde as mal traçadas linhas,
Porque trêmulas de amor.

Neste momento, susto, lamento,
Mãos que se recolhem
Ante o terrível prenúncio
Do oráculo que anuncia:
Arranja outra pátria,

Pois já não existe esta
Em que você vivia.

Viver sem correio é parar
Por falta de corda,
De laço,
De nó.
Ah! Tenham dó,
Os correios, não.
Terei de botar na parede
Mais esta melancolia?
E o que farei do futuro de minha coleção
De selos sentimentais e carinhos postais?
Agora, só de pensar fico peixe fora do álbum.
Por favor, os correios não.

Outrora, as seitas respeitavam as receitas
Fiscais ou não. Então, sem essa
De que o fim está próximo…
Por favor, uma parada,
Antes do fim do caminho,
Antes do fim do carteiro,
Com suas mensagens em amarelo-correio.

Mesmo que voltemos no tempo
Do destinatário fiador,
Eu pago pela mensagem.
Eu e o caro cidadão, leitor.

Será possível tal museologia?
Imaginem o Museu dos Correios,
Numa derradeira exposição:
“O que foi de nós até aqui”.

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