Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

Pouco restou do arcaico
Sentido profundo que há
Quando tudo parece parede
E, de repente, até o mar
Se abre para o sonho impossível,
Mas, plausível aos que têm fé.

Quando se abraça a proeza,
Por mais impreciso o mapa,
Por mais indecifrável o mago,
Nenhum coração está vago
E a mais estreita das veias
Pulsa mais que o abismo de areia.

Cristão, judeu, muçulmano…
Budista, tupi, afro, xamã…
Haverá para todos a passagem.
Mesmo se indefinida é a ponte.
Em dado momento, o “capitão do fim”,
“Dobrado o assombro”, não avistará o além.

Qualquer que seja o sinal,
O gesto, a aspersão, o sagrado,
Convicta será a jornada.
Curta ou longa, faz-se a viagem.
Caminho, pois, qualquer lampejo é lume,
Simples limiar do mais fortuito aviso.

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