Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

Ou seria 57?
Como, se no plano cósmico já existia,
Em sonhos, desde Dom Bosco,
E na cartografia de Pombal?

Brasília, eu a conheci muito antes,
De ser A ILHA DA FANTASIA,
Ou, como no mimeo do Nick,
Reta e sem bunda, mas, gostosa.

Não havia ruas (só Avenidas…)
Não havia máfias, nem semáforos.
Ah! A luz, sim, do céu esfuziante
De Romulo nas serigrafias.

As árvores do Cerrado, coitadas,
Curvaram-se à ignorância, havia brutalidades.
Numa só noite, cinco mil mudas exóticas,
Na contramão, à luz de caminhão.

Eu a conheci, menos Capital,
Mas, muito antes de referências,
Sequer, a Balzac. Mais tarde, a menina,
Nasceu Brasília, batismo: 21 do 04 de 1960.

Eu ia a pé, boa parte da poeira,
Me desviando das letras e números,
Mas, bem que a vastidão em voz alta,
Num tempo de Eixão sem fim.

De coração, eu fui das mudas que vingaram:
Venturis ventis. Vim, vi e acho que fiquei,
Mais candango que nordestino.
E ainda mais menino.

Eu sou dez anos mais velho,
Mas, um dia quando abrirem,
De fato, a casca do ovo,
No post, passado, eu e ela, de abraços.

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