O atropelamento foi na manhã de domingo. Edson Antonelli, de 61 anos, não resistiu e morreu no local. Foto de Myke Sena/Jornal de Brasília

Jovem motorista, que atropelou ciclista no Lago Norte, já está em liberdade e mesmo se condenada no futuro não deverá pegar cadeia.

 

 

Por Chico Sant’Anna, com base na Ascom/TJTDF

R$ 5 mil. Esse o valor da liberdade da jovem que atropelou e matou um ciclista no Lago Norte, quando voltava, às 10 da manha, de uma balada no Torre Digital, no domingo 23/4. Presa em flagrante, a jovem que dirigia alcoolizada, ganhou a liberdade na Audiência de Custodia do Tribunal de Justiça do DF. A notícia pegou amigos e familiares de surpresa. Um clima de indignação e revolta invadiu o Cemitério Campo da Esperança, na tarde desta segunda-feira (24/4), durante o funeral do empresário Edson Antonelli, 61 anos.

“As pessoas sabem das regras, sabem que não pode beber antes de dirigir. Para mim, isso é assassinato”, disse Ingrid Zuany, 25, sobrinha de Edson, ao portal de notícias Metropoles.

Sem prisão

Mônica Karina Rocha, de 20 anos, aguardará em liberdade o julgamento pelos delitos de homicídio culposo na direção e embriaguez ao volante, descrito nos artigos 302 e 306 do Código de Trânsito Brasileiro. Tecnicamente, Mônica Mônica pode pegar entre dois e sete anos de reclusão, mas a juizá de instrução admite na decisão de conceder a liberdade que, mesmo condenada, “tudo indica que o regime de cumprimento da pena será diverso do fechado, tendo em vista a qualidade da pena em abstrato dos delitos em questão (…). Assim, em princípio, (…) se e quando já definitivamente condenado, resgatara, provavelmente, sua reprimenda em regime menos gravoso que aquele imposto a título cautelar (princípio da homogeneidade)”.

O caso será julgado pela 8ª Vara Criminal de Brasília. Enquanto não acontece o julgamento, ela poderá mesmo se ausentar de Brasília, desde que não fique fora por mais de quinze dias. Além dessa restrição, está proibida de mudar de endereço sem comunicação para o juízo  e deve manter seus dados pessoais, endereço e telefone atualizados.

Segundo informe do TJDF, após examinar os autos, a magistrada verificou que não há elementos que indiquem que se a autuada continuar em liberdade causará alguma perturbação à ordem pública e, assim, determinou a restituição da liberdade da autuada, mediante fiança.

A motorista do veículo, um GM Onix, estava alcoolizada. O resultado do teste de bafômetro foi de 0,85 miligrama de álcool por litro de ar expelido dos pulmões, segundo o Departamento de Estradas de Rodagem (DER). “O fato é gravíssimo, sobretudo por ter ocasionado a morte do ciclista. No entanto, em que pese a gravidade do fato, a prisão não se mostra necessária neste momento. A autuada é jovem, possuindo apenas 20 anos, é primária e de bons antecedentes (não ostentando qualquer passagem criminal), estuda (faz faculdade), possui residência fixa e colaborou com a atividade policial” – afirma nos autos a magistrada.

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