Poema de Luiz Martins da Silva

 

Por vezes, é preciso ser meramente sóbrio.
Serão verdades as notícias sobre estrupícios
Cometidos por seres que ainda se dizem humanos?

Digam-me, por favor, em nota oficial e universal
Que não houve mais um estupro, ainda mais, coletivo.
Coletivo de lobo é alcateia, mas de criminosos, que ideia!

Quando o abominável teria parado no Homem das Neves,
Eis que rege a tara que retira do Rio qualquer resquício de juízo
E em seu lugar propõe inominável covardia, em ato e filme.

Rio, quantas vezes, cidade maravilhosa… Por Cristo Redentor!
Haverá redenção para quem amputado de coração
Julga que pode haver um mesmo lugar para violência e amor?

Vergonha, ser homem, macho e da mesma espécie
Na qual se acreditava não haver mais predadores.
Que descanso há para Nossa Senhora das Dores?

A velha pergunta diante de Deus, como pode um filho seu
Conceber-se tão alheio ao que é do outro em si,
Se é vida, criança e indefesa infância?

O que dizer quando um homem perde o seu próprio sentido,
De ser filho, irmão, pai, avô, tio, primo parente, semelhante?
Que anomia gera a geração da impossível poesia?

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