Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

Em tantas cosmogonias
Deus deu a Luz
A todos e em toda vez
Com quem se mantém
Em corpúsculos de harmonia
Da larva ao cosmos.

Deus é Sol e Lua;
Céu e Terra;
Masculino e feminino;
Yang e Yin
É amor no gerúndio
Dos gerânios a florir.

“Você já viu Deus, hoje?”
Pergunta de caminhão.
“Deus é minha companhia”,
Diz outro no para-choque.
Bendito, reza a mãezinha,
Para que o filho volte.

Deus é todo tipo de sorte,
Bilionário ou mendigo,
Da rosa e da bananeira,
Do bandido que assalta à solta,
Do ateu em sua heresia
E dos que não oram nunca.

Ora pro nobis, Oh! Mãe,
Presente em toda baleia,
Na fome, no cio e na ceia.
Sabe o que não sabemos
E não nos conta o porquê.
Cada um que o saiba como.

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