Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

Milhões? Ilusão de ilusões.
Quanto mais mega é a a lupa,
Mais peso na mala do caminho.
Soberano tapete, folhas da relva.

Olhai as ervas daninhas.
Elas não pedem agricultura,
Nem rega, nem aditivos,
Sequer um pingo de vaidade.

Não são eternas as luzes da cidade.
Em algum dia, todos os palácios
Virão à superfície, escombros de casas:
Brancas, rosadas, verdes e amarelas.

Tão somente o que guardamos
Do sem valor nesta face da moeda
Terá lastro no antinada do que somos.
Em algum momento, sem navio, nadaremos.

Iremos ao encontro do oceano dos oceanos,
A mais profunda de todas as abundâncias,
A plenitude que satisfaz um humilde rato,
Mesmo se a sobra é de um gato.

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