Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna.

Na solidão do palácio
Depois da última visita
O paxá contempla sem paixão
A cesta de frutas, decorada,
Ao estilo de natureza morta
E insubordinados sentimentos.

A essa hora, deviam estar recolhidos
Todos numa caixinha de verniz
Indevassáveis em sua nudez,
Mas, eloquentes em sua mudez.
Inútil acolher-se sozinho,
Tanto pensamento em burburinho.

Olhando o passado até aqui
E rememorando tudo que se fez
Ocorre advogar-se: “Eu sei o que fiz”.
E, como sabe, a mais sábia dos entes,
Esta, que a todos aquieta e atormenta.
“Oh! De fora!”, Ordena a voz, “Entra”.

Nessas horas, pouca serventia os outros.
O que dizem, o que pensam, o que julgam.
O mais alto e inevitável de todos os tribunais
Jamais jaz, pois, sempre desperto no seu senso.
Esta senhora, sem idade, sem datas no tempo,
Ela, sim, não precisa sobrenome: Consciência.

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