Denúncia de propina de R$ 10 milhões, feita por Constantino, envolveria, além do presidente Michel Temer, o ex-vice governador, Tadeu Filippelli, o ex-ministro do Turismo, Henrique Alves, o ex-deputado Eduardo Cunha e Gabriel Chalita, hoje no PDT, candidato do PMDB, em 2012, à prefeitura de São Paulo.

Com base em O Globo , Folha de São Paulo, Revista Época Negócios, O Estado de São Paulo Brasil 247

Desta vez, Brasília aparece como sendo a origem e não o destino, de propinas que alimentam o mundo político nacional. O valor: R$ 10 milhões. A origem, o empresário Henrique Constantino, filho de Nenê Constantino, um dos fundadores da Gol Linhas Aéreas e da Viação Pioneira, dentre outras. Ele teria dito aos procuradores da República em Brasília ter se encontrado com o presidente Temer após um acerto com o então deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O encontro seria pra selar o acordo entre o grupo econômico e o PMDB. Depois da Odebrecht e dos irmãos Friboi, esse é mais um empresário acusa Michel Temer de ter dado a aval a repasse de propina para financiamento de campanhas do PMDB.

A notícia foi publicada nos principais veículos de comunicação do país, no domingo 11/6.
Segundo a reportagem do Globo, repercutida no portal Brasil 247, Constantino relatou que o peemedebista avalizou uma contribuição ilegal de R$ 10 milhões de suas empresas a políticos do PMDB e a campanhas em 2012, quando era vice-presidente da República.

 

Segundo o portal da Revista Época (vide fac simile), dentre os membros do PMDB beneficiados com os R$ 10 milhões, estaria Tadeu Filippelli. O Grupo de Constantino teria, em contra-partida, atendidas as suas solicitações pelo governos Federal e do DF.

Filippelli

Por sua vez, o portal da revista Época Negócios informa que o então vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB), também foi beneficiado pelos pagamentos. A parcela dele teria sido de “pelo menos R$ 1 milhão”, segundo  O Globo, paga mediante a intermediação de um escritório de advocacia da Capital Federal.

Chalita

Segundo o jornal Folha de São PauloGabriel Chalita, hoje no PDT, mas em 2012 candidato do PMDB à prefeitura de São Paulo, teria tido a sua campanha eleitoral reforçada com recursos das empresas de Constantino. Ainda com base no periódico paulista, após a “doação” ao PMDB, a empresa Via Rondon, concessionária de rodovias pertencente a família Constantino teria sido agraciada com um empréstimo da ordem de R$ 300 milhões com recursos do FGTS.

Além do financiamento para a Via Rondon, no pacote de bondades esperadas pelo grupo Constantino estariam também a inclusão de empresas do setor de transportes na política de desoneração de folha de pagamento de funcionários. A desoneração reduz os valores a serem recolhidos à Previdência Social, já que nessa situação, a parte patronal da contribuição previdenciária é calculada sobre o faturamento e não sobre a folha salarial. A medida foi implantada a partir de 2011 e e foi objeto de leis relacionadas a ela nos meses seguintes. Do GDF, a expectativa era a desoneração do ICMS sobe o querosene de avião no Distrito Federal, aprovada em abril de 2013.

Selar o acordo

O portal da revista Época Negócios afirma que o encontro entre Temer e o empresário teve como objetivo selar o acordo de repasse de propina. Segundo o relato do empresário, Eduardo Cunha não teria falado em propina na presença de Temer e sim sobre o compromisso do seu grupo de empresas de apoiar o partido e o grupo político do vice-presidente. Segundo Constantino, isso foi entendido como uma forma de avalizar os pagamentos.

O ex-deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) também teria participado do encontro, que não foi registrado na agenda oficial de Temer. Questionado pelo jornal O Globo, o Planalto não respondeu se Temer se encontrou realmente com Constantino nem por que a reunião não teria sido colocada na agenda. Disse apenas “jamais saber que Eduardo Cunha tenha feito qualquer tipo de acordo com Henrique Constantino”.

De acordo com Constantino, os R$ 10 milhões teriam sido pagos depois do encontro. Em contrapartida, o Grupo Comporte, que pertence à família Constantino, teria uma série de solicitações atendidas pelo governo federal. O grupo é composto pelas empresas de ônibus Pássaro Marron, São Paulo São Pedro, Princesa do Norte, Breda, União, Piracicabana, Empresa Cruz, Manoel Rodrigues, Itamarati, Transportes Coletivos Grande Londrina, Transportes Coletivos Grande Bauru, além de empresas de transporte coletivo em Cuiabá, Maringá (PR), Vitória da Conquista (BA) e, em Blumenau (SC).

O empresário, que tenta fechar acordo de delação premiada na Lava Jato, é investigado por conta de um empréstimo feito por uma das empresas de sua família junto à Caixa Econômica Federal. Se firmar o acordo de delação, ele promete entregar irregularidades no setor da aviação civil, envolvendo ministros e parlamentares.

Antes da Gol, a Odebrecht já havia denunciado, em delação premiada na Lava Jato, ter participado de reunião com Temer para acertar o repasse de US$ 40 milhões em propina a campanhas do PMDB em 2010, entre elas a do próprio Temer, que concorria à vice-presidência.

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