Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

Tarde, bem tarde, mas antes do nunca,
Um bom ladrão vai ao oráculo
Mas, não lhe pede verdades,
Pois, em veredas já é emérito.

Mestre, o que me tens de sentença
Na tua estância elevada?
Pois, no teu livro sagrado,
Belas imagens, mas cifradas.

“Se és, de fato, superior,
Melhor é não saber de si.
Do que há por se tremer,
Se o temor já foi traçado?”

Mas, altivo, o consulente
Não se dá por satisfeito.
Quem sabe, embaralhando mais,
Mais sagaz a impertinência?

Mais encabulado ainda,
Com o enigma da resposta:
“A raposa o que quer logra,
Mas, a cauda, enxovalhada”.

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