Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

Mesmo quando a geada veio tristonha,
Logo depois dos telejornais,
É necessário anotar para a manhã seguinte:
Cultivar ainda mais flores e orquídeas,
Elas transferem nossos medos ao imaginário.

É preciso tirar da estante o dicionário
E, num instante, como falha de memória,
Ir à História, abrir no capítulo “Esperança”.
Não há filme de terror que não tenha “the end”,
Cansativo que seja o cast de fantasmas.

É valor sagrado não vender a alma,
Mesmo quando as contas tiram a calma.
Não sucumbir a ambição das malas
Políticas de propinas recheadas,
Elas são como a droga que embriaga.

Antídoto para a ressaca no futuro,
É escrever num modesto bloco de notas:
Sonhar e confiar na força que a tudo sustém,
Mesmo as criaturinhas humildes, sem vintém,
Uma erva daninha no pasto, tem tudo e nada aquém.

 

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