Por Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

Nem todas as angústias do mundo hão
De redimir um único corpúsculo vão
De culpa requentada no remorso.

II
Melhor se curvar ao certo reforço
Que virá de forma ainda mais clara
Quando se abrir a próxima câmara escura.

III
Anotar o ontem, para a serventia do hoje,
Sobretudo se o amanhã for revide
Do que já sabemos, mas não revisamos.

IV
Alguém que nos busque na fantasia própria
Do acerto e do incorreto para nós,
Consulte, ante, cada um dos vinte dedos.

V
O pior conselheiro é o medo, pois
Se houvesse nele alguma razão,
Por pessimismo, nenhuma lua, à noite.

VI
Quando a melhor lição parecer o açoite,
Não a aceite, nem como autoflagelo.
Sequer um demônio educou-se assim.

VII
Fugir do rugir do eu e do mim,
Pois nem somos nós mesmos
Quando o espelho é refração.

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