Por Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

Há de se viver, uma estação por vez,
Não tardam, as vingas, virão.
Até hoje, não houve esperança sem fim,
Nem inverno sem término.

Eis-me aqui, com as mãos de lavrador
Perante um dilema sem lema
E que desde uma plaga me indaga:
Entre tantas, que dor mais urge capina?

Há de se encontrar açúcar, questão de fé:
Convicto, enquanto goles de água e arábica,
Mesmo no esguio da não profundidade
Da distante idade, mas de poucas certezas.

Ditado é que o amor a tudo vence.
Enigmático é o que de fato nos pertence:
Por destino, fiança ou mérito.
Lágrima é que se esvazia de cima para baixo.

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