Por Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

Urge saber da urze,
Mas preparar outra ara.
Pois, por menos que se cuide,
Avança o reinado de pragas.

Se queres cores na eira
E fé na paz da paisagem,
Que a rosa desenhe o cravo
Na mais roxa das paixões.

Quando o sonho não se recorda
E o elo é só de pesos,
Mesmo assim é navegar,
Não tardam as amarras do porto.

Pode ser que a decepção
Exista no próprio horto
Das oliveiras de lágrimas.
Neste caso, é ir fundo.

Pode ser que esteja perto
O abrigo do sonho novo.
Nem todo o deserto do mundo
Há de ser surdo a uma espera.

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