Por Romário Schettino

Morreu, na manhã deste sábado (5/8), aos 78 anos, o cineasta brasiliense Geraldo Moraes.Segundo os parentes, o cineasta havia sido internado em um hospital de Cuiabá (MT), depois de sofrer complicação em virtude de uma hepatite viral. Ele estava na região gravando uma minissérie, quando passou mal.

Em seu perfil em uma rede social, o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, lamentou a morte do cineasta. “Acabo de receber a triste notícia do falecimento do ex-presidente do CBC (Congresso Brasileiro de Cinema) e ex-secretário de audiovisual Geraldo Moraes, que tive a honra de conhecer e de ter ótimas conversas sobre o cinema brasileiro”.

Leitão também elogiou a atuação institucional de Moraes. “Além de criador e realizador, era um pensador do nosso cinema. Viva Geraldo Moraes!”, finalizou.

Biografia

Gaúcho de Santa Maria, Geraldo Moraes passou a infância e adolescência em Porto Alegre, onde desde os 13 anos frequentou o Cineclube Pró Deo, instituição católica fundada por Humberto Didonet, e mais tarde passou a participar do Clube de Cinema de Porto Alegre, criado por P. F. Gastal.

Em 1961 escreveu o roteiro do curta-metragem “O Último Golpe”, de João Carlos Caldasso. Em 1962, eleito vice-presidente da União Nacional dos Estudantes, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde participou do CPC (Centro Popular de Cultura da UNE) até o ano seguinte.

Após o golpe de 1964 foi para Goiânia, onde trabalhou com Alinor Azevedo e realizou documentários para cinema e televisão com o fotógrafo Fernando Stamato, com o qual aprendeu a fotografar e montar. Realizou experiências com cinema de animação e ajudou a criar o Departamento de Cinema do estado de Goiás.
A partir de 1967, radicou-se em Brasília, onde se tornou professor de cinema e televisão na UnB.

Nos anos 1970, realizou dois curtas-metragens, escreveu e dirigiu peças teatrais e começou a preparar seu primeiro longa, A Difícil Viagem (1981), que contava no elenco com nomes fortes da dramaturgia brasileira, como Paulo José, Zaira Zambelli e, Roberto Bonfim. Dirigiu também os longas Círculos de Fogo (1990), No Coração dos Deuses (1997) e O Homem Mau Dorme Bem (2009).

Na UnB, criou o CPCE – Centro de Produção Cultural e Educativa, a partir de um convênio com o BID, onde produziu ampla documentação audiovisual da Região Centro-Oeste.

Em 1992, foi Secretário do Audiovisual e Secretário do Planejamento do Ministério da Cultura, na gestão do ministro Antônio Houaiss, quando administrou o Prêmio Resgate do Cinema Brasileiro, que deu início à retomada da produção cinematográfica no país após o governo Collor, e coordenou a regulamentação da Lei do Audiovisual.

Em 2003, foi eleito presidente do Congresso Brasileiro de Cinema. Na sua gestão, trabalhou pela criação da ANCINAV – Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual e pela aprovação da Convenção para a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais (Convenção da UNESCO). Criou a Coalizão Brasileira pela Diversidade Cultural e é membro do Conselho Diretor da Federação Internacional das Coalizões (FICDC).

Geraldo residia atualmente em Salvador, é casado com a produtora Solange Lima e tem seis filhos de dois casamentos anteriores, todos atuantes na área de comunicação: Márcio (diretor de animação), Marta (jornalista), Denise (cineasta e professora de cinema), Paulo (produtor de televisão), André (músico e diretor de cinema e televisão) e Bruno (ator e cineasta).

O cineasta tem vários livros publicados e em 2008, ganhou biografia da Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial de São Paulo. Trata-se de “Geraldo Moraes – O Cineasta do Interior”, escrita pelo jornalista Klecius Henrique.

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