Mobilidade: Bye bye, VLT do Aeroporto

Do governo Arruda, aos dias de hoje, a Estrada Parque Aeroporto recebe a quarta reforma.

Texto e fotos por Chico Sant’Anna

 

O Brasiliense vai voltar a viver transtornos no trânsito. Além da Saída Norte, onde são executadas as obras do Trecho de Triagem Norte – TTN, dentro de poucos dias, a Saída Sul também vai ganhar obras e colocar em xeque, por um período de um ano, a paciência dos motoristas. Três anos depois do GDF entregar a Estrada Parque Aeroporto, para receber o trânsito do BRT, a via volta a ser alvo de novas ampliações. Uma nova faixa será construída de cada lado da EPAR, rodovia DF-47, de forma a permitir o tráfego dos ônibus do BRT até o Aeroporto, sepultando de vez o projeto de interligar o terminal ao Plano Piloto com os modernos bondes elétricos do VLT.

A Epar perdeu, em 2014, uma alameda de Sibipirunas, plantadas na década de 1960, para dar lugar a via co BRT. 

O abandono em definitivo da opção do VLT, pelo governo Rollemberg, já havia sido antecipado por esse blog em junho de 2016. (Leia: BRT toma lugar do VLT do Aeroporto. Balão será reformado de novo) .

Sem dinheiro para dar prosseguimento aos projetos de mobilidade urbana idealizado por ocasião da Copa do Mundo e com a pressão da InfrAmérica em dotar o aeroporto de Brasília de mais opções de transporte coletivo, o GDF optou pela ligação via ônibus do tipo BRT. Essa decisão reforça ainda mais a inclinação do GDF por soluções rodoviaristas – priorização por alargar estradas e construir pontes e viadutos – em detrimento de um transporte sobre trilhos.

Publicado originalmente na coluna Brasília, por Chico Sant’Anna, no semanário Brasília Capital.

Memória

Para a Copa do Mundo, um túnel foi construído sob o Bambolê da Dona Sarah, a um custo de R$ 53 milhões. Uma verdadeira hecatombe ambiental naquele que era o principal cartão de visita de Brasília. Além disso, em 2012, com o abandono do VLT para o Aeroporto, o governo Federal repassou R$ 100 milhões para as adaptações requeridas pelo BRT. A medida resultou ainda na eliminação do canteiro central da EPAR, onde existia uma alameda com 70 Sibipirunas, plantadas na década de 60.

 

Sobre Mobilidade Urbana no DF, leia também:

Todas essas obras passadas, feitas sem um devido planejamento integrado e de longo prazo, obrigam agora um novo remendo. Remendo cobrado pela InfraAmerica, que reclama da inexistência de transporte eficiente conectando o aeroporto com o resto da cidade.

O remendão custará, agora, mais R$ 18.176.585,20, recursos provenientes de financiamento da Caixa Econômica. A obra envolverá os 2,1 quilômetros existentes entre o fim do Eixão Sul e o terminal do Aeroporto.

Além das novas faixas a serem construídas na lateral da via, novos acessos (agulinhas) serão construídos tanto para quem vai do Plano Piloto ao Aeroporto ou em destino ao Entorno Sul, quanto dos que de lá são provenientes, bem como para os que se dirigem ao Lago Sul e Park Way, Gama e Santa Maria. Também está prevista a instalação de nova sinalização e de ciclovia.

Ampliação da Epar afetará a ARIE de Vida Silvestre do Riacho Fundo

Meio Ambiente

A ampliação será feita em um local complexo. Há redes subterrâneas de energia, telefonia e de fibra ótica e um duto da Petrobrás que leva combustível até o aeroporto. Além disso, a EPAR atravessa duas áreas ambientalmente sensíveis. De um lado a Área de Relevante Interesse Ecológico – ARIE de Vida Silvestre do Riacho Fundo e, de outro, o início do Lago Sul, onde chegam o Riacho Fundo e o Córrego do Guará.

Sobre a memória das obras no Balão do Aeroporto, leia também:

Quando esse projeto foi iniciado, no governo Arruda, pontes foram erguidas sobre o Riacho Fundo, mas empecilhos ambientais impediram o alargamento das faixas entre o Riacho Fundo e o Aeroporto. No governo Agnelo, em janeiro de 2013, o Ibram concedeu a licença, na qual exige compensações ambientais mediante a execução e manutenção de aceiros em diversas Unidades de Conservação do DF.
Ainda a título de minimização dos danos ambientais, foi determinado que a obra inclua o cercamento com alambrados das laterais da via, para evitar que animais atravessem-na e a construção de uma passagem aérea para animais.

Só no Baú

O secretário de Mobilidade, Fábio Damasceno, esclarece que a obra de alargamento da via possibilita a implantação de faixas exclusivas para o BRT, melhorando a conexão do Aeroporto com o Terminal Asa Sul do metrô e com a Rodoviária do Plano Piloto ao Aeroporto.

“Em setembro de 2010, por determinação judicial, o contrato da obra do trecho do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) do Aeroporto foi anulado e a obra paralisada. Dessa forma, considerando a demanda existente para o Aeroporto, a secretaria de Mobilidade passou a adotar como solução de mobilidade para área por meio no aperfeiçoamento da estrutura de transporte coletivo existente para a região.”

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Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
Esse post foi publicado em Aeroporto de Brasília, Áreas verdes, Brasília - DF, BRT, Cerrado, Ciclovias, Copa 2014, Desenvolvimento Urbano, Distrito Federal, Entorno do DF, Fauna & Flora, Gama, GDF, Lago Paranoá, Lago Sul, Meio ambiente, Mobilidade Urbana, Park Way, Parques & Reservas, Plano Piloto, Recursos Hídricos, Santa Maria, Secretaria de Meio-ambiente, Secretaria de Transportes, Sistema Viário, Transporte Coletivo, Trânsito, Urbanismo, VLT. Bookmark o link permanente.

4 respostas para Mobilidade: Bye bye, VLT do Aeroporto

  1. Marise Jardim de Melo disse:

    É mais um caso a comprovar que o DF não tem um Plano, que os planos são as cabeças ocas dos governadores. A cada 4 anos novos planos improvisados, mais devastações, mais incômodos e mais grana para o povo pagar.

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  2. neivion disse:

    VLT para o aeroporto nem deveria ser cogitado enquanto não existe metrô até Planaltina.

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  3. O DF saiu do rumo, descarrilhou há vários anos.

    Acompanhei com indignação as obras na EPAR e arredores. Primeiro suprimiram o acostamento (que era o refúgio dos ciclistas que passam pela região) na busca insana por fluidez motorizada. Depois ampliaram a via. Depois veio o túnel…
    Nessas obra$ todas nenhuma intervenção voltada ao transporte coletivo ou voltada a pedestres e ciclistas.

    Novamente, a exemplo do que ocorreu em outras oportunidades (ex.: EPTG – “Linha Verde” e TTN – Terrível Trevo Norte) a ciclovia aparece no projeto para vender a ideia de projeto moderno. Amplia-se absurdamente o espaço para o transporte automotivo e se prevê (na prática nem costuma sair do papel) uma faixa para ciclistas e outra para os ônibus.

    Se a intenção fosse mesmo de melhorar o transporte coletivo, já teriam delimitado (com pintura e placas) faixa exclusiva para ônibus e teriam melhorado as condições aos usuários no aeroporto.

    É revoltante ver a propaganda insistente “Brasília no rumo certo” e passar tanto perrengue ao optar por não usar carro.
    Em vez de ter incentivos, o ser desprovido de carro próprio sofre com crateras, bloqueios, descontinuidade no caminho, imprudência e alto limite de velocidade, falta de abrigos, falta de informações sobre linhas e horários,…

    Continuamos na luta por cidades humanas. Abraço,
    Uirá

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  4. Compartilhei por e-mail fotos do meu acervo que registram a situação da EPAR e do aeroporto.

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